Bolsa 2025: Setores Imobiliário, Bancos e Serviços Essenciais Lideram Alta

Bolsa 2025: Setores Imobiliário, Bancos e Serviços Essenciais lideram alta com entrada de estrangeiros. Veja o que esperar.
Bolsa 2025 — foto ilustrativa Bolsa 2025 — foto ilustrativa

Em 2025, a Bolsa brasileira registrou uma expressiva alta de 28%, impulsionada por uma forte entrada de recursos estrangeiros e pela expectativa de queda nos juros a partir de 2026. Empresas dos setores imobiliário, de serviços essenciais e bancário se destacaram no período.

O cenário de valorização da Bolsa contrastou com a desvalorização do dólar, que afetou negativamente os setores de agronegócio e materiais básicos, como siderurgia e mineração. Esses foram os de pior desempenho no ano, segundo ranking da consultoria Elos Ayta.

Destaque do Setor Imobiliário em 2025

Apesar da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados, o índice imobiliário (IMOB) liderou os avanços, com uma valorização de 69% até 6 de novembro. O setor foi impulsionado tanto pelo segmento de alta renda, com maior capacidade de poupança, quanto pela baixa renda, beneficiada pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida.

Gráfico do desempenho do setor imobiliário na Bolsa em 2025.
Setor imobiliário brasileiro apresentou forte valorização em 2025.

Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, explica que o desempenho do IMOB em 2025 vai além do ciclo de juros. Ele aponta para um crescimento substancial de lançamentos e vendas no fim de 2024, gerando uma base sólida para a valorização das incorporadoras em 2025. A demanda por imóveis na baixa renda também se mantém resiliente, com muitos optando pelo financiamento imobiliário em detrimento do aluguel, o que contribui para o aumento da rentabilidade das empresas.

Serviços Essenciais e o Setor Financeiro em Alta

Em segundo lugar no ranking de desempenho, as empresas de utilidades públicas (energia, saneamento e gás) registraram uma alta de 54,8% através do índice UTIL. Esse setor, mais alavancado, beneficia-se do cenário de queda nos juros. Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações do Itaú BBA, destaca a previsibilidade operacional e a Receita ajustada pela inflação como fatores de menor risco.

Rodrigo Santoro, superintendente de renda variável da Bradesco Asset, acrescenta que essas empresas, por serem serviços essenciais, são menos dependentes da atividade econômica, possuindo fluxos de caixa mais estáveis. O posicionamento de gestores, focados em empresas com baixo risco de demanda, também favorece o setor.

O setor financeiro, com o índice IFNC avançando 41,6%, também se destaca. Gewehr atribui esse desempenho à rentabilidade acima da média global e à liquidez dos papéis de bancos, que atraem investidores estrangeiros. A entrada de quase R$ 26 bilhões em recursos estrangeiros na Bolsa até agora em 2025 reforça essa tendência.

Edifício da B3, bolsa de valores brasileira.
A Bolsa brasileira tem sido impulsionada por capitais estrangeiros em 2025.

Setores com Pior Desempenho e Perspectivas

As companhias exportadoras enfrentaram dificuldades em 2025 devido à valorização do real, que encareceu os produtos brasileiros no mercado Internacional. O índice Iagro, de agronegócio, registrou a única queda setorial do ano, com -5,9%. O índice Imat, de materiais básicos, subiu apenas 2,21%, significativamente abaixo do Ibovespa.

Gewehr observa que a queda no preço das commodities em dólar, somada à valorização do real, impactou negativamente setores como petróleo, celulose, minério e agronegócio. No setor industrial, que teve uma alta de 6,6% (índice Indx), o crédito caro devido às altas taxas de juros também representa um desafio.

A expectativa para os próximos meses é de continuidade do bom momento da Bolsa. A perspectiva de queda nos juros no Brasil e a desvalorização do dólar, acompanhadas pela entrada de investidores estrangeiros, devem persistir. Analistas apontam que 80% do movimento na Bolsa está atrelado ao cenário global, com dólar mais fraco e queda de juros nos Estados Unidos.

No entanto, riscos como as eleições presidenciais de 2026, com potencial polarização e aumento de gastos públicos, podem afetar o desempenho futuro do mercado acionário brasileiro.

Fonte: Folha de S.Paulo

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