O bitcoin (BTC) opera em alta nesta segunda-feira (20), buscando se recuperar de uma recente derrocada que iniciou com um ‘flash crash’ na sexta-feira (10) e se intensificou no final da semana passada. Apesar do desempenho positivo, a criptomoeda principal indica que este outubro pode se tornar um dos piores meses de sua história.
Historicamente, o bitcoin tem apresentado ganhos expressivos em outubro, um período conhecido como “uptober” pelos entusiastas. Com desempenho positivo nos últimos seis anos e uma queda de apenas 4% em 2018 como último recuo no mês, o BTC acumula uma baixa de 2,8% no atual outubro.
Às 11h22 (horário de Brasília), o bitcoin valorizava 2,2% nas últimas 24 horas, sendo negociado a US$ 110.875, segundo dados do CoinGecko. Em reais, a cotação subia 1,5% para R$ 597.216, conforme o Cointrader Monitor.
Desempenho das Altcoins e Mercado Geral
Entre as altcoins, o ether (ETH), a moeda digital da rede Ethereum, avançava 0,7% para US$ 4.021. O XRP, token de pagamentos internacionais da Ripple, subia 2% a US$ 2,46. A Solana (SOL) apresentava leve variação negativa de 0,1%, negociada a US$ 191,11, enquanto o BNB (token da Binance Smart Chain) recuava 1,4% para US$ 1.103.
O Valor de mercado total de todas as criptomoedas do mundo atualmente está em US$ 3,85 trilhões.
Análise de Mercado e Perspectivas Técnicas
Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, observou que tanto investidores institucionais quanto de varejo aproveitaram as quedas recentes para aumentar suas posições em criptoativos, impulsionando uma recuperação técnica. Ele aponta resistências para a alta atual na faixa de preços entre US$ 113.000 e US$ 114.900. Um rompimento consistente acima desse patamar, segundo Prado, abriria caminho para novas altas em direção a US$ 117.000 e US$ 118.000.

Cenário de Cautela e Fatores Macroeconômicos
Contudo, Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, alerta que os dados on-chain indicam um cenário de cautela. “A reserva de bitcoin nas exchanges aumentou ao longo da semana, superando 2,42 milhões de BTC, o que indica entrada líquida de moedas nas corretoras e maior disposição de venda no curto prazo”, explica.
Do ponto de vista macroeconômico, o foco se volta para o Federal Reserve (Fed). A incerteza sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos continua a pressionar ativos de risco. A próxima decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) está agendada para o dia 29.
Guerra Comercial e Impacto nos Ativos de Risco
O analista de criptoativos Beto Fernandes destaca que a guerra comercial entre EUA e China também pode influenciar as cotações das criptomoedas nas próximas semanas. A imprevisibilidade do presidente americano, Donald Trump, é um fator de preocupação. “Trump pode ser igualmente volátil e voltar a fazer ataques mais duros, afastando novamente uma solução para a crise comercial”, avalia Fernandes. “Neste caso, o ouro, que acabou de alcançar sua máxima histórica, potencialmente será o destino dos investidores em busca de segurança mais uma vez.”
Saídas em ETFs de Bitcoin e Ether
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista que operam nas bolsas americanas registraram um saldo líquido negativo de US$ 366,6 milhões na sexta-feira (17). Este foi o terceiro pregão consecutivo de saída de capital nesses fundos. O principal responsável pelo fluxo vendedor foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 268,6 milhões em vendas líquidas de cotas.
Nos ETFs de ether, a saída de recursos foi de US$ 232,3 milhões, com o ETHA, da BlackRock, sendo o mais afetado, com US$ 146,1 milhões em saídas.
Fonte: Valor Econômico