O bispo Josivaldo Batista, da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, é apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de um esquema de corrupção em Sorocaba (SP). O esquema teria desviado verbas da Saúde e levou ao afastamento do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) do cargo por decisão judicial.
A investigação, parte da Operação Copia e Cola, aponta que Josivaldo Batista mantinha uma espécie de ‘contabilidade paralela’ para registrar propinas supostamente pagas por empresas contratadas pela prefeitura.
Contabilidade Paralela e Linguagem Cifrada
O registro financeiro foi encontrado em um documento de texto no aplicativo de notas do celular do bispo. As anotações, feitas em linguagem cifrada e com abreviações, eram organizadas em ‘entradas’ e ‘saídas’. Segundo a PF, essa estratégia visava ocultar a identidade dos envolvidos no esquema.
As ‘entradas’, que seriam as propinas, variam entre R$ 30 mil e R$ 2,8 milhões. As ‘saídas’ se referiam ao dinheiro distribuído a secretários municipais e aliados do prefeito.

Ausência de Repasses ao Prefeito na Contabilidade do Bispo
De acordo com a Polícia Federal, a contabilidade de Josivaldo Batista não registrava repasses diretos ao prefeito Rodrigo Manga. Os investigadores acreditam que essa omissão foi uma tática para ocultar a participação do prefeito no esquema.
A PF sugere que os pagamentos destinados a Rodrigo Manga (referido como Rodrigo Maganhato nas investigações) estariam registrados na contabilidade de sua esposa, a pastora Simone Rodrigues Frate de Souza, que também foi presa preventivamente. Essa separação de registros indicaria uma ação coordenada para ocultar as atividades ilícitas do prefeito.
Envolvimento da Igreja e Quebra de Sigilo Bancário
A investigação também aponta para o envolvimento da igreja e de movimentações financeiras suspeitas. A quebra do sigilo bancário da igreja revelou 958 depósitos em espécie totalizando R$ 1,7 milhão.
Nas contas pessoais do bispo Josivaldo Batista, foram identificados R$ 2,6 milhões em 2.221 depósitos em dinheiro vivo durante o período investigado. O casal também é suspeito de participar da lavagem das propinas.
Defesa do Prefeito e Continuidade Administrativa
A Defesa do prefeito Rodrigo Manga alega que ele é vítima de perseguição política e que o afastamento se baseia em ‘ilações’. Os advogados sustentam que a investigação foi iniciada de forma ilegal e conduzida por autoridade incompetente.
Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que, em conformidade com a legislação, o vice-prefeito Fernando Martins da Costa Neto assumiu o cargo até que os fatos sejam esclarecidos, garantindo a continuidade dos serviços públicos. A prefeitura reafirma seu compromisso com a transparência e o respeito às decisões judiciais.
Fonte: Estadão