Gaúchos Reconstroem Ponte em 138 Dias e Restabelecem Vida Rural

Agricultores gaúchos recriaram ponte destruída por enchente em 138 dias, restabelecendo a vida rural e a economia local. União e resiliência em destaque.
Agricultores gaúchos constroem ponte — foto ilustrativa Agricultores gaúchos constroem ponte — foto ilustrativa

Em um notável feito de resiliência e união comunitária, agricultores do Rio Grande do Sul reconstruíram uma ponte centenária em apenas 138 dias, após ela ter sido levada por uma enchente devastadora. A estrutura, construída em 1930 sobre o rio das Antas, ligava Nova Roma do Sul a Farroupilha e sua destruição em setembro de 2023 deixou o pequeno município de 3,5 mil habitantes, cuja economia se baseia na produção de frango e uvas, isolado.

Agricultores gaúchos reconstruindo ponte após enchente.
Representação da força e união dos agricultores gaúchos.

Diante da informação oficial de que a reconstrução levaria no mínimo 18 meses, os produtores rurais decidiram tomar a iniciativa. Através da Associação Amigos de Nova Roma do Sul, formada com apoio da paróquia local, mobilizaram recursos com quermesses, doações e rifas. A comunidade obteve mais de R$ 6 milhões, superando o montante necessário para a obra.

“Todo o dinheiro oriundo do privado, nada de público. Foi um dinheiro que veio desde um galetinho, uma rifa, clube de mães, até empresas grandes, médias, comércio, todo mundo ajudou”, declarou Tranquilo Tessaro, presidente da Associação. O excedente financeiro é destinado a projetos sociais. A associação se tornou um exemplo de mobilização comunitária, sendo frequentemente solicitada a compartilhar sua experiência pelo Brasil.

A nova ponte de 120 metros de extensão foi inaugurada em 20 de janeiro de 2024, a tempo de salvar a colheita de uva, que deveria ter sido escoada dez dias depois. A estrutura, agora erguida 1,7 metro mais alta, demonstrou sua robustez ao resistir à grande enchente de maio de 2024, com a água chegando perigosamente perto do tabuleiro, mas sem atingi-lo. “A ponte virou um exemplo do que o produtor unido pode fazer”, celebrou o viticultor Miguel Battistin.

Rodovias Avariadas: Infraestrutura Viária em Recuperação

Apesar da proeza em Nova Roma do Sul, a infraestrutura viária do Rio Grande do Sul ainda enfrenta desafios significativos um ano e meio após as enchentes de 2023. Rodovias e ferrovias cruciais para o escoamento de produtos agrícolas permanecem com operação parcial ou interditadas.

A rodovia RSC-287, vital para ligar a região produtora de Santiago ao Porto de Rio Grande, é um exemplo notório. Durante uma inspeção em setembro, múltiplos pontos apresentavam desvios devido à queda de pontes e aterros, com passagens improvisadas, como uma ponte metálica instalada pelo Exército brasileiro.

O produtor rural Diogo Palmeiro relatou os prejuízos, incluindo um caminhão de gado atolado e dificuldades na RS-529. Palmeiro descreveu a estrada como essencial para o transporte de grãos, gado, ambulâncias e ônibus escolares. A Falta de infraestrutura adequada força desvios de até 150 km, encarecendo o frete em até 40% e desestimulando transportadoras.

“Um trabalho de recuperação, de verdade, não lembro quando foi a última vez”, lamentou Palmeiro, embora reconheça melhorias pontuais, como a instalação de bueiros. “Mas é muito buraco e pedra, precisa asfaltar, precisa de ponte. A estrada precisa de reforma geral.”

Associativismo e Pressão por Melhorias

Inspirados pelo exemplo de Nova Roma do Sul, produtores rurais da Campanha gaúcha formaram uma associação para arrecadar fundos e pressionar por melhorias na infraestrutura local. O grupo, que representa cerca de 50 produtores, iniciou um trabalho de recuperação de um trecho crítico de 25 km, com R$ 20 mil arrecadados e apoio de combustível dos produtores e maquinário da prefeitura de Maçambará.

“Nos unimos para dar uma recauchutada e pressionar o Estado de uma forma organizada. Porque isso não é função nossa e isso tem de ficar bem claro. Nossa função é pagar o imposto”, ressaltou Palmeiro. A expectativa é que a recuperação total da estrada custe cerca de R$ 2 milhões, e o grupo busca parcerias com prefeituras e o Estado.

Palmeiro lamenta a precariedade da estrada, que considera um reflexo de “abandono e desrespeito” àqueles que produzem no interior. Ele compara a situação atual com o passado, quando a infraestrutura era melhor, apesar do aumento do tráfego.

Resposta do Governo Estadual

O Governo do Rio Grande do Sul informou que a concessionária Rota de Santa Maria está avançando na duplicação de trechos da rodovia e na reconstrução de pontes sobre o Arroio Grande e o Arroio Barriga, em Santa Maria. As obras visam adaptar o leito da rodovia para resistir a futuros eventos climáticos extremos, buscando uma recuperação mais resiliente.

Fonte: Estadão

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