O Banco Safra rebaixou a recomendação das ações da Ambev (ABEV3) de neutro para venda. Embora o preço-alvo tenha sido elevado de R$ 14 para R$ 16, a instituição financeira aponta que o potencial de valorização atual é limitado e que os riscos operacionais permanecem subestimados pelo mercado.
O que você precisa saber
- O mercado já precifica uma recuperação nos volumes de cerveja para 2026.
- As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) devem pressionar as margens da companhia.
- AABEV3negocia com um prêmio de 14% em relação aos pares globais, elevando o risco-retorno.
Desafios operacionais e margens
Segundo o relatório do banco, a recuperação de volumes da Ambev parece estar refletida no preço atual do papel. O analista aponta que, apesar da expectativa de que eventos esportivos internacionais impulsionem o consumo em 2026, as condições da indústria seguem desafiadoras em diversas geografias, como Canadá e América Central.
A pressão sobre as margens deve ser acentuada por maiores gastos com marketing e pagamentos de bônus, que foram cortados no ano anterior. A expectativa é de que as despesas com SG&A como percentual da receita apresentem deterioração anual de 176 pontos-base.
Expectativas para o primeiro trimestre de 2026
O Banco Safra projeta resultados fracos para o primeiro trimestre de 2026, refletindo um ambiente de demanda pressionado pela renda disponível do consumidor e condições climáticas desfavoráveis. A divisão de não alcoólicos (NAB Brasil) também apresenta perda de fôlego em seu desempenho recente.
O valuation atual, baseado em 15,7x a relação preço/lucro para 2026, não reflete adequadamente riscos como a contração de margens e a intensa concorrência no setor. Para investidores atentos ao cenário macroeconômico, o acompanhamento de medidas regulatórias é essencial para entender o mercado financeiro brasileiro.
Fonte: Moneytimes