O setor imobiliário brasileiro encerrou 2025 com incorporadoras alcançando recordes históricos de faturamento e lançando projetos bilionários. As empresas listadas na Bolsa de Valores registraram mais de R$ 55 bilhões em receita líquida, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior, embora enfrentem desafios com o endividamento e a dependência do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
O segmento de alto padrão demonstrou maior resiliência por depender menos de financiamento bancário, enquanto a média renda sofreu com a sensibilidade aos juros elevados. O melhor desempenho operacional, contudo, concentrou-se na baixa renda, impulsionado pelas melhorias e pela criação da Faixa 4 do programa habitacional.
Recordes no segmento econômico
Empresas como Cury, Plano&Plano e Tenda atingiram resultados históricos em 2025. A Cury, com 95% de seu portfólio no programa habitacional, obteve lucro líquido de R$ 975,5 milhões. A Plano&Plano alcançou R$ 361,5 milhões em lucro, enquanto a Tenda registrou um crescimento de 375,2% no lucro líquido, atingindo R$ 505,7 milhões.
A ampliação do programa habitacional, que passou a incluir famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, permitiu que construtoras acessassem uma nova base de clientes. Esse movimento de expansão também reflete o comportamento de consumo, que busca estabilidade financeira em meio a cenários macroeconômicos complexos.
Desempenho do alto padrão e reestruturações
No segmento de luxo, a Cyrela obteve receita líquida de R$ 9,4 bilhões, com foco em projetos de alto padrão. A Moura Dubeux, líder no Nordeste, reportou recordes com R$ 420 milhões em lucro líquido. Já a JHSF realizou uma transição estratégica, vendendo R$ 5,2 bilhões em ativos para um fundo imobiliário, buscando tornar seu balanço mais leve e focar em capital recorrente.
Empresas como MRV e Mitre passaram por processos de readequação operacional. A MRV encerrou seu ciclo de turnaround, limitando lançamentos para focar na rentabilidade do mercado interno. O setor monitora o risco de excesso de oferta para 2026, buscando equilibrar margens em um cenário de juros ainda desafiador.
Fonte: Estadão