Um novo levantamento conduzido pela Quaest revela que o comportamento das gerações brasileiras em temas como economia, costumes e política não segue mais as divisões tradicionais importadas de outros países. O estudo propõe uma nova classificação geracional adaptada à realidade nacional, dividindo a população em quatro grupos: Bossa Nova, Ordem e Progresso, Redemocratização e Geração .com.
Perfil da Geração .com e o centro político
A Geração .com, composta por brasileiros nascidos entre 2000 e 2009, destaca-se por uma postura de centro, buscando soluções práticas e objetivas para os problemas do país. Diferente de gerações anteriores, este grupo demonstra ceticismo quanto à capacidade do Estado de resolver todas as demandas sociais, embora reconheça a necessidade de suporte público.
O levantamento aponta que, embora sejam mais progressistas em pautas de costumes, esses jovens mantêm posições conservadoras em temas como a legalização do aborto e a disciplina infantil. A busca por um caminho que fuja da polarização política é um traço marcante, com 76% dos integrantes desse grupo se descolando dos polos representados pelo lulismo e bolsonarismo.
Divergências em pautas sociais e econômicas
As divergências entre as gerações tornam-se evidentes em temas como cotas raciais e regulação das redes sociais. Enquanto a Geração .com lidera o apoio às cotas (64%), a geração Redemocratização apresenta o menor índice de adesão (46%). Em contrapartida, a regulação das redes sociais para o combate a notícias falsas possui apoio majoritário em todas as faixas etárias, atingindo 95% entre os mais jovens.
No campo econômico, existe um consenso amplo sobre a manutenção de programas como o Bolsa Família e a taxação dos mais ricos. Contudo, a visão sobre o papel do Estado varia: a maioria dos brasileiros defende o fim de privilégios no funcionalismo público, enquanto a privatização de empresas estatais divide opiniões, com menor apoio entre os integrantes da Geração .com e da geração Bossa Nova.
Segurança pública e cenário eleitoral
A Segurança pública permanece como uma das principais preocupações nacionais. Existe um respaldo superior a 79% para a criação de um sistema único nacional de segurança. Além disso, a proposta de classificar organizações criminosas como terroristas conta com apoio popular expressivo.
O cenário eleitoral, segundo dados de março de 2026, mostra que a demanda por transformações radicais é mais forte entre os jovens, com 48% da Geração .com defendendo mudanças profundas no país. O estudo, que ouviu 2.004 pessoas, reforça que o eleitorado brasileiro está cada vez mais independente das estruturas partidárias tradicionais.
Fonte: Estadão