O conglomerado empresarial Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.), vinculado às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, opera como uma holding centralizada que domina as principais fontes de receita do país. Sem transparência orçamentária ou auditoria estatal, a entidade gerencia setores estratégicos como turismo, comércio exterior, telecomunicações e remessas financeiras, em um cenário de crise econômica severa.
O que você precisa saber
- A Gaesa detinha ativos avaliados em cerca de 17,9 bilhões de dólares em 2024, conforme documentos vazados.
- O conglomerado opera com margens de lucro elevadas ao captar divisas estrangeiras e pagar custos operacionais em moeda local.
- A estrutura da holding é mantida sob sigilo absoluto, sem publicação de balanços ou canais oficiais de transparência.
Origem e expansão do conglomerado
Criada na década de 1990 para gerir recursos em divisas durante o Período Especial, a Gaesa expandiu sua influência ao absorver estatais estratégicas, como a Cimex. Sob a gestão do general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, o grupo consolidou o controle sobre o Banco Financeiro Internacional e diversas operadoras turísticas, criando uma estrutura paralela que não presta contas à Assembleia Nacional do Poder Popular.
Estrutura de poder e elite
O poder na Gaesa permanece concentrado em um grupo restrito, ligado ao entorno familiar e militar de Raúl Castro. A estrutura societária utiliza redes de empresas e filiais em jurisdições de baixa transparência para ocultar os beneficiários finais. A atual presidente, Ania Guillermina Lastres, supervisiona as operações, embora especialistas questionem sua autonomia decisória frente ao núcleo político.
Impacto na economia cubana
A concentração de investimentos no setor turístico, em detrimento da infraestrutura elétrica e da produção agrícola, agrava a crise interna. Com transações que representam parcela expressiva do PIB cubano, a Gaesa mantém reservas internacionais paralelas, dificultando a estabilização macroeconômica do país e a gestão da dívida externa.

Fonte: G1