Depoimento de promotor motiva troca no comando da PM de São Paulo

Governo de São Paulo altera comando da Polícia Militar após depoimento do promotor Lincoln Gakiya sobre vazamentos de informações para o crime organizado.
Sede da Polícia Militar de São Paulo durante expediente oficial. Sede da Polícia Militar de São Paulo durante expediente oficial.
Depoimento de promotor motiva troca no comando da PM de São Paulo em destaque no AEconomia.news.

O depoimento do promotor Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, motivou a substituição do coronel José Augusto Coutinho no comando da Polícia Militar. A mudança foi formalizada pelo governador Tarcísio de Freitas, que nomeou a coronel Glauce Anselmo Cavalli para chefiar a instituição em meio a apurações sobre condutas internas.

O que você precisa saber

  • O promotor relatou indícios de que policiais teriam vazado informações sigilosas sobre operações policiais para a facção criminosaPCC.
  • Investigações sugerem que gravações de reuniões com delatores teriam sido comercializadas por valores estimados em R$ 5 milhões.
  • A alteração na cúpula da corporação ocorre no âmbito de apurações sobrecorrupçãodentro da estrutura de segurança estadual.

Vazamento de dados e operações sigilosas

Segundo o relato apresentado aos corregedores, a Operação Sharks, que visava desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, foi comprometida por vazamentos. O promotor Gakiya apontou que, em 2021, informações obtidas durante oitiva de um delator na sede da Rota foram negociadas com lideranças do crime organizado.

O promotor apresentou registros que sustentariam a negociação entre agentes e criminosos. Na ocasião, o então comandante Coutinho teria atribuído as falhas a membros de outras instituições, tese refutada por evidências de comunicações internas via aplicativos de mensagens citadas no depoimento.

Conexões com o crime organizado

O depoimento também aponta o envolvimento de policiais militares na segurança de membros do PCC e de companhias investigadas por ilícitos financeiros, a exemplo da Transwolff. O cenário tornou-se crítico após a morte do delator Antônio Vinicius Gritzbach, assassinado em 2024, que detinha informações sobre a atuação desses agentes.

A defesa do ex-comandante Coutinho nega irregularidades e afirma que não obteve acesso integral ao inquérito. Por sua vez, o governo estadual declarou que a troca no comando da Polícia Militar atende a critérios técnicos de aprimoramento operacional e negou relação direta com as denúncias, reiterando o compromisso com a eficiência da Segurança Pública.

Fonte: Estadão

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