A Moody’s Ratings colocou em revisão para rebaixamento o Corporate Family Rating (CFR) Ba3 da Aegea Saneamento e o rating B1 da dívida sênior sem garantia da companhia, com suporte da Aegea Finance.
A agência de classificação de risco justificou a revisão por atrasos recorrentes na divulgação das demonstrações financeiras auditadas de 2025. Esses atrasos ocorreram em meio a ajustes contábeis solicitados pela auditora KPMG.
A Moody’s reconhece que esses ajustes aumentam a transparência das divulgações da Aegea. Contudo, os ajustes evidenciaram práticas contábeis que reconheciam receitas e lucros de forma antecipada, antes da conversão em caixa. Isso favoreceu acionistas em detrimento de credores, reduzindo a confiança nas projeções de receita da empresa.
Os aspectos de governança da Aegea são um fator-chave para essa revisão de rating, conforme ressalta a agência.
Processo de revisão do rating
A Moody’s focará o impacto dos ajustes nas projeções de fluxo de caixa da Aegea. Além disso, a agência considerará a capacidade da empresa em melhorar a pontualidade das suas divulgações financeiras. O objetivo é restabelecer a credibilidade junto a credores e acionistas para sustentar os compromissos de investimentos (capex).
A revisão analisará especificamente a posição atual de liquidez e a capacidade de geração de caixa interna para honrar o serviço da dívida no prazo, especialmente no nível da holding.
“Também consideraremos a capacidade geral de refinanciamento e o acesso efetivo aos mercados de capitais nas condições atuais, bem como a capacidade da administração de reformular e estabilizar suas práticas de divulgação e mitigar o aumento do risco de governança”, afirmou a agência.
Rating da Aegea Finance
A Moody’s avalia que o rating da Aegea Finance pode ser rebaixado caso haja deterioração sustentada na geração de caixa interna para suportar o serviço da dívida. Isso ocorreria em meio a flexibilidade limitada para distribuição de dividendos das subsidiárias operacionais.
“Pressão negativa sobre a Aegea Saneamento também pode surgir se, após os ajustes, a dívida consolidada sobre capitalização ultrapassar 85%. Isso pode ocorrer se nossa avaliação prospectiva indicar que a cobertura de juros por fluxo de caixa provavelmente não será mantida acima de 1,5x de forma sustentada, ou se o aumento da alavancagem não seguir uma trajetória claramente decrescente”, explicou a agência.
Por fim, a Moody’s afirma que um rebaixamento também pode resultar de acesso mais fraco aos mercados de crédito ou de menor disposição dos acionistas em fornecer suporte financeiro.
Fonte: Moneytimes