Banco Central aponta crescimento modesto da produtividade nos últimos anos

Banco Central revela que produtividade do trabalho no Brasil teve crescimento modesto nos últimos seis anos, com impacto da agropecuária e debate sobre jornada.

O Banco Central (BC) apontou que o crescimento da produtividade do trabalho na economia brasileira nos últimos seis anos foi modesto. A expansão registrada foi impulsionada, em grande parte, pelo desempenho favorável na agropecuária e pela realocação do emprego para atividades mais produtivas.

Economista do Banco Central em evento
Economista do Banco Central em evento.
Prédio do Banco Central do Brasil em Brasília.
Prédio do Banco Central do Brasil em Brasília.

Em relatório de política monetária, o BC destacou que, ao excluir a agropecuária, o desempenho da produtividade se mostra ainda mais limitado. Desde 2019, o crescimento foi de apenas 1,1%, o que representa uma média anual de 0,2%.

A contribuição da produtividade para a redução dos custos do trabalho tem sido limitada. A persistência desse avanço modesto, combinada às restrições ao crescimento da população ocupada, poderia limitar o potencial de crescimento da economia. Acelerações da demanda nesse cenário podem se traduzir em pressões inflacionárias.

Redução da jornada de trabalho em debate

O debate sobre a redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, enfrenta resistência do setor produtivo. O principal argumento é o potencial aumento de custos, que poderia ser repassado aos consumidores.

O ministro do Trabalho considera a discussão sobre a redução da jornada uma necessidade social. Ele mencionou que algumas empresas já estão antecipando esse debate, reduzindo voluntariamente a jornada de seus trabalhadores.

O presidente da Câmara indicou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1 poderá ser votada em breve. O governo defende mudanças nas regras trabalhistas sem redução salarial, como o fim da escala 6×1 em favor da 5×2, com dois dias de descanso semanais.

Evolução da produtividade setorial

A alta da produtividade do trabalho entre 2019 e 2025, com média anual de 0,6%, apresentou dinâmicas distintas. Em 2020, houve uma forte elevação associada à pandemia, quando a redução da população ocupada superou a queda do Valor Adicionado Bruto (VAB). A produtividade foi gradualmente revertida até 2022, mas em 2023, apresentou alta expressiva, impulsionada pela agropecuária em ano de safra recorde.

Setorialmente, a agropecuária foi o principal destaque, com expansão da produção e redução da população ocupada. O segmento de outros serviços também mostrou desempenho positivo, possivelmente ligado à maior incorporação de tecnologia e mudanças organizacionais.

Projeções do setor produtivo sobre jornada

Analistas apontam que a mudança na jornada de trabalho, sem considerar os impactos estruturais, pode gerar efeitos econômicos e fiscais relevantes. O aumento do custo da hora trabalhada, em um mercado com dificuldade de contratação, pode gerar inflação na mão de obra e pressionar os preços de produtos e serviços.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com manutenção do salário, resultaria em um aumento generalizado dos preços e perda de competitividade. A entidade projeta uma queda de 0,7% no PIB brasileiro, o que equivaleria a uma perda de R$ 76,9 bilhões.

Fonte: G1

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