A Hungria elegeu Peter Magyar como novo primeiro-ministro, encerrando 16 anos de governo contínuo de Viktor Orban. O partido Tisza, liderado por Magyar, conquistou uma maioria de dois terços no parlamento, garantindo 138 dos 199 assentos disponíveis. A legenda de Orban, Fidesz, obteve 55 assentos, tornando-se a principal força de oposição.

Magyar promete reformas e restauração de freios e contrapesos
Em seu discurso de vitória, Peter Magyar declarou que a Hungria foi “libertada” e prometeu restaurar o sistema de freios e contrapesos nas instituições do país, que segundo ele foram capturadas durante o governo Orban. Ele convocou a renúncia de figuras-chave nomeadas por Orban e alertou que os responsáveis por fraudes serão responsabilizados.
Magyar indicou que sua primeira viagem internacional será a Varsóvia, seguida por visitas a Viena e Bruxelas, com o objetivo de descongelar fundos da União Europeia. A vitória de Magyar foi vista por líderes como o presidente francês Emmanuel Macron como um “triunfo da democracia” e um sinal de que a Hungria “escolheu a Europa”.
Orban admite derrota e promete atuar da oposição
Viktor Orban reconheceu a “dolorosa, mas inequívoca” derrota eleitoral e parabenizou o partido vencedor. Ele afirmou que seu partido, o Fidesz, continuará a servir a nação húngara a partir da oposição. Orban, que governou a Hungria continuamente desde 2010, havia se tornado uma figura proeminente na direita nacionalista europeia e um aliado de Vladimir Putin.
Apesar da derrota, Orban agradeceu aos eleitores e prometeu facilitar a transição pacífica de poder. A eleição também marcou o fracasso de partidos de centro-esquerda em ultrapassar a cláusula de barreira de 5% para entrar no parlamento, consolidando um cenário majoritariamente de direita.
Contexto e Repercussão Internacional
A eleição húngara teve grande repercussão internacional, com líderes como o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez afirmando que “Hoje a Europa vence e os valores europeus vencem”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a Hungria “escolheu a Europa”, sinalizando uma possível mudança nas relações entre Budapeste e a UE, que foram tensas devido à postura de Orban em relação à Ucrânia e a outros temas.
A vitória de Magyar representa um ponto de virada significativo para a política húngara e para as relações da Hungria com seus parceiros europeus. A expectativa agora se volta para as reformas prometidas por Magyar e para a nova dinâmica política no bloco.
Fonte: Dw