Após o encerramento sem sucesso das tratativas entre Irã e Estados Unidos para um acordo de paz no último sábado (11), o líder russo Vladimir Putin ofereceu a mediação da Rússia para a busca por um entendimento. A conversa ocorreu com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, após um ciclo de 21 horas de discussões que não resultou em consenso.
O posicionamento de Moscou, divulgado pela agência Interfax, reforça a disponibilidade do país em colaborar com a estabilidade do Oriente Médio. O governo russo busca se tornar um dos mediadores na região.
“Vladimir Putin enfatizou sua disposição em facilitar ainda mais a busca por uma solução política e diplomática para o conflito e em mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”, informou o Kremlin.
Impasse nas negociações
As delegações deixaram o Paquistão sem uma data para novo encontro. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que a ausência de um acordo prejudica mais o Irã do que os Estados Unidos. “Fizemos isso da forma mais clara possível, e eles escolheram não aceitar nossos termos”, disse Vance.
Pelo lado iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento, demonstrou cautela ao comentar a postura americana, mas não fechou as portas para o diálogo. “A América entendeu a nossa lógica e os nossos princípios. Agora, é hora de decidir se ela pode ganhar a nossa confiança”, afirmou Ghalibaf.
Atrito e avanços parciais
Apesar de o Estreito de Ormuz continuar sendo um ponto de atrito, o Ministério das Relações Exteriores do Irã vê avanços em outras áreas. Esmail Baqaei, porta-voz da pasta, ponderou sobre a complexidade do processo. “Não era esperado que chegássemos a um acordo em uma única sessão. Vamos continuar trabalhando para aproximar as visões dos americanos e dos iranianos”, disse à TV estatal do Irã.
Teerã sinalizou positivamente a um plano de dez pontos sugerido pelo Paquistão, que prevê a coordenação militar iraniana no Estreito de Ormuz. O chanceler Abbas Araghchi condicionou a trégua ao fim dos bombardeios no Irã e propôs uma taxação para navios que cruzarem a região.
No campo regional, a tensão persiste. O Irã aponta violações de Israel no Líbano, enquanto representantes americanos e israelenses sustentam que o cessar-fogo não abrange o Hezbollah. Um encontro direto entre representantes israelenses e libaneses deve ocorrer na próxima semana em Washington.
Fonte: Infomoney