Dois petroleiros vazios tentaram atravessar o estreito de Hormuz em direção ao golfo Pérsico neste domingo, mas abortaram a manobra após o fracasso das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, que ameaçam um cessar-fogo frágil.


Dois navios petroleiros de grande porte (VLCC) e um navio da classe Aframax, todos sem vínculos diretos com o Irã, iniciaram a aproximação da passagem marítima a partir do golfo de Omã no final de sábado. Ao chegarem perto da ilha iraniana de Larak no início de domingo, o Agios Fanourios I, com destino ao Iraque, e o Shalamar, de bandeira paquistanesa com destino aos Emirados Árabes Unidos, mudaram de curso.
O primeiro VLCC, Mombasa B, seguiu em frente e conseguiu passar entre as ilhas de Larak e Qeshm, rota aprovada pelo Irã para entrada no golfo Pérsico. Atualmente, o navio não sinaliza um destino claro.
O Khairpur, um petroleiro de produtos paquistanês, transitava pelo corredor iraniano em direção ao golfo após mudar de curso duas vezes no domingo. A embarcação inicialmente fez um retorno perto das ilhas de Larak e Qeshm antes de executar uma segunda manobra para retomar seu curso de entrada.
As razões específicas para os retornos não estão claras, pois tanto o Iraque quanto o Paquistão haviam recebido autorizações prévias do Irã para transitar pelo estreito. A mudança de planos ocorreu justamente quando os negociadores em Islamabad anunciaram a falta de acordo.
O estreito de Hormuz é uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Seu fechamento efetivo desde que os EUA e Israel iniciaram ataques ao Irã há seis semanas resultou em interrupção de abastecimento. A reabertura tem sido ponto crucial de discussão nas negociações do fim de semana, mas permanece área de desacordo.
Nas últimas semanas, vários navios tentaram transitar pelo estreito antes de abortar seus esforços, refletindo uma situação de segurança em constante mudança e riscos elevados. A maioria tentou sair do golfo Pérsico, mas petroleiros vazios também são necessários dentro dele para serem carregados.
Dois navios porta-contêineres chineses fizeram retorno no final do mês passado antes de conseguirem sair, enquanto um navio de gás natural liquefeito deu meia-volta na semana passada.
Um trânsito bem-sucedido dos três petroleiros no domingo teria dado continuidade a uma tendência positiva de movimento pela via navegável, controlada pelo Irã e dominada por embarcações ligadas ao país desde o final de fevereiro. No sábado, dois superpetroleiros chineses e um navio grego saíram do golfo via Hormuz, carregados de petróleo bruto.
O Agios Fanourios I é gerenciado pela Eastern Mediterranean Maritime, na Grécia, enquanto a Pakistan National Shipping Corp. é proprietária do Shalamar. As empresas não responderam a pedidos de e-mail fora do horário comercial.
O Mombasa B, que recentemente mudou seu nome de Front Forth, é de propriedade da Haut Brion 8 SA, que compartilha o mesmo endereço de sua gestora na Coreia do Sul, a Sinokor Maritime Co. A Sinokor não respondeu a um pedido de comentário.
Fonte: UOL