A Etiópia, sob a liderança do Primeiro-Ministro Abiy Ahmed, intensifica sua busca por acesso direto ao Mar Vermelho, uma ambição que reacende tensões geopolíticas na região do Chifre da África. A perda do acesso marítimo com a independência da Eritreia em 1993 gerou dependência do porto de Djibouti para o comércio etíope, acarretando custos significativos para a nação sem litoral.






Resistência à Expansão Etíope
Analistas apontam que a urgência de Abiy Ahmed em garantir controle direto sobre um porto não se deve à ausência de rotas comerciais, mas sim ao desejo de soberania. Embora acordos anteriores, como o de 2018 com a Eritreia, pudessem ter facilitado o acesso, a instabilidade política e a falta de garantias de sustentabilidade e segurança impediram sua consolidação. A busca por essa autonomia, que rendeu a Abiy o Prêmio Nobel da Paz em 2019, agora aponta para um possível confronto com o país vizinho.
Pressão sobre Parceiros Geopolíticos
Interesses externos, notadamente dos Emirados Árabes Unidos, podem estar influenciando a estratégia etíope. Contudo, a instabilidade no Golfo Pérsico pode forçar os EAU a reduzir seu envolvimento no Chifre da África, impactando o suporte à Etiópia em um cenário de conflito. A retórica de Abiy Ahmed sobre a necessidade de um porto próprio tem se intensificado desde 2023, com relatos de movimentações militares na fronteira com a Eritreia.
Ameaça de Guerra Civil e Instabilidade Econômica
Apesar da escalada de tensões, a eclosão de um conflito direto tem sido evitada, em parte devido a desafios logísticos como a escassez de combustível na região, ligada à crise no Irã. No entanto, as causas subjacentes da rivalidade persistem. A Eritreia, em posição economicamente e militarmente mais frágil, tem evitado o confronto direto, optando por manobras indiretas, como o fortalecimento de laços com grupos opositores etíopes e adversários regionais. A instabilidade econômica na Etiópia, agravada pela alta nos preços de transporte e alimentos, torna uma nova operação militar inviável no momento. A situação frágil na região de Tigray, mesmo após o acordo de paz de 2022, continua sendo um ponto crítico, com receios de um ressurgimento do conflito armado entre o governo central e forças regionais.
Guerra Não é Inevitável
Fatores geopolíticos externos exacerbam o conflito, mas a situação etíope é complexa e multifacetada. A criação de um governo rival em Tigray seria uma escalada significativa. Embora a guerra não seja inevitável, a disputa por dominância entre as partes é evidente. A incerteza sobre o apoio da Eritreia ao TPLF em caso de conflito com a Etiópia permanece. As próximas eleições parlamentares em junho são cruciais para a legitimidade do partido de Abiy Ahmed, mas a oposição enfrenta poucas chances. A decisão de não adiar as eleições antes de uma potencial operação militar sugere uma estratégia calculada por parte do governo etíope.
Fonte: Dw