Os juros futuros registraram altas expressivas em todos os prazos nesta quinta-feira (23), impulsionados por uma combinação de fatores de risco nos cenários doméstico e internacional. A instabilidade no Oriente Médio, o volume do leilão de títulos públicos e preocupações com a política fiscal brasileira contribuíram para o movimento.
Pressão Externa e Doméstica
No âmbito internacional, a incerteza sobre a resolução do conflito no Oriente Médio aumentou a percepção de risco entre os investidores. Paralelamente, o mercado local foi impactado pelo leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que adicionou um volume considerável de risco à curva de juros. Essa operação ocorreu logo após uma emissão expressiva de títulos atrelados à inflação (NTN-B).
Reação à Política Fiscal
No final da tarde, a notícia sobre a possibilidade de o governo reduzir a tributação sobre combustíveis (PIS/Cofins) gerou apreensão quanto a uma potencial deterioração da política fiscal. A falta de clareza sobre a compensação da renúncia de receita tributária adicionou prêmios de risco à curva de juros, refletindo a cautela do mercado.
Impacto nos Títulos Públicos
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 subiu de 13,98% para 14,14%. Outros vencimentos também apresentaram elevação: o DI de janeiro de 2028 avançou de 13,425% para 13,71%; o de janeiro de 2029 foi de 13,265% para 13,575%; e o de janeiro de 2031 aumentou de 13,36% para 13,625%. A volatilidade observada na renda fixa local superou a de outros ativos.
Análise do Mercado
Analistas apontam um possível exagero no pessimismo do mercado e na precificação da curva de juros futuros. A impaciência com a falta de resolução da guerra no Oriente Médio, somada ao preço do petróleo acima de US$ 100 o barril e aos leilões do Tesouro, intensificou a reação da renda fixa. A emissão de 21 milhões de títulos prefixados pelo Tesouro Nacional adicionou um nível de risco significativo, em um contexto de apetite por risco já fragilizado.
Perspectivas Futuras
Apesar do estresse atual, alguns gestores identificam assimetrias nas taxas prefixadas que podem gerar oportunidades futuras. A precificação de um juro real ex-ante acima de 9% para os próximos dois a três anos é considerada exagerada por alguns, mesmo considerando uma inflação acima da meta. A expectativa é que, com a normalização da percepção de risco, haja espaço para a queda das taxas de juros.
Fontes: Globo Moneytimes