A Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), em uma nova fase da operação Compliance Zero. A investigação apura irregularidades na atuação do banco público na compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Costa é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A suspeita é que ele tenha ocultado seis imóveis recebidos como propina, avaliados em R$ 146,5 milhões. Deste valor, cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido pagos.
A defesa de Costa alega que seu cliente não cometeu crime algum e que a prisão foi um exagero. O ex-diretor foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Operação Compliance Zero e o Caso Master
A operação investiga a compra do Banco Master pelo BRB e a aquisição de carteiras de crédito oferecidas pelo banco de Vorcaro. Investigações apontam que Daniel Vorcaro e seus associados se tornaram acionistas do Banco de Brasília.
O ministro André Mendonça, do STF, determinou a prisão de Costa. Segundo a decisão, o advogado Daniel Monteiro, apontado como arquiteto jurídico do Master, teria atuado para viabilizar o pagamento e ocultar a titularidade dos imóveis, recebendo R$ 86 milhões pelo esquema.
Monteiro teria utilizado empresas de fachada e fundos de investimento para esconder o beneficiário real dos imóveis. Ele também teria atuado na frente jurídica para dar aparência de legalidade a operações envolvendo carteiras de crédito fictícias vendidas pelo Banco Master ao BRB.
Investigações e Defesas
Ao longo das investigações, Paulo Henrique Costa negou irregularidades, argumentando que as decisões eram colegiadas e que os instrumentos usados na compra de carteiras são comuns no mercado.
A defesa de Daniel Monteiro afirmou que sua atuação foi estritamente técnica, como advogado do Banco Master e de outros clientes, sem participação em atividades alheias ao exercício profissional.
Histórico e Auditoria
Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB de 2019 a novembro de 2025. Ele foi afastado do cargo em novembro de 2025, após a primeira fase da operação, e posteriormente demitido. Foi substituído por Nelson Souza.
Em abril de 2026, o BRB entregou à PF o relatório final de uma auditoria independente sobre seus negócios com o Master. A auditoria indicou que as operações de compra de carteiras eram tratadas internamente como “negócio do presidente” e conduzidas sob pressão e urgência.
O relatório aponta que o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Vorcaro. Cerca de R$ 12,3 bilhões desses ativos apresentam indícios de ausência de lastro, inconsistências estruturais e vícios documentais.
A PF encontrou anotações que indicam que Costa teria determinado a compra de carteiras para salvar o Master, que supostamente não tinha dinheiro suficiente para pagar os títulos que emitia no mercado. O Banco Master teria revendido esses papéis ao BRB sem realizar qualquer pagamento.
Fonte: UOL