O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC), registrou uma expansão de 0,6% em fevereiro em comparação com o mês anterior, após ajuste sazonal. Este é o quinto mês consecutivo de alta para o indicador.
Apesar da sequência positiva, houve uma desaceleração em relação a janeiro, quando o aumento foi de 0,86%. O setor industrial apresentou o maior destaque em fevereiro, com crescimento de 1,2%, seguido pela agropecuária com 0,2% e serviços com 0,3%.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br apresentou uma retração de 0,3%. No acumulado do ano até fevereiro, o indicador avançou 0,4%, e em 12 meses, o aumento foi de 1,9%, ambos calculados sem ajuste sazonal.
Desaceleração esperada em cenário de juros altos
A desaceleração da atividade econômica é um cenário esperado pelo mercado financeiro e pelo próprio Banco Central, em função do elevado patamar da taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano. A política monetária restritiva visa conter as pressões inflacionárias.
As projeções do mercado financeiro indicam um crescimento de 1,85% para o PIB em 2026, uma desaceleração em relação aos 2,3% registrados em 2025. O Banco Central tem sinalizado que um ritmo menor de crescimento é um elemento necessário para a convergência da inflação às metas estabelecidas.
Diferenças entre PIB e IBC-Br
O IBC-Br é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), mas utiliza uma metodologia de cálculo distinta daquela empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC abrange estimativas para agropecuária, indústria e serviços, além de impostos, mas não inclui o lado da demanda, que é considerado no cálculo oficial do PIB.
A análise dos dados do IBC-Br auxilia o Banco Central na definição da taxa básica de juros. Um crescimento econômico mais robusto, por exemplo, pode gerar pressões inflacionárias, influenciando a trajetória de queda dos juros.
Fontes: G1 Moneytimes