Empresas testam jornada de 4 dias e obtêm ganhos de produtividade

Empresas brasileiras testam a semana de trabalho de quatro dias, buscando maior produtividade e qualidade de vida. Resultados e desafios do modelo.

Enquanto o debate sobre a jornada de trabalho 6×1 avança no Congresso, algumas empresas brasileiras experimentam um modelo considerado mais radical: a semana de trabalho de quatro dias. O Coffee Lab, cafeteria com duas unidades em São Paulo, implementou a jornada 4×3 há mais de oito meses, com funcionários folgando três dias. Segundo a fundadora, Isabela Raposeiras, o faturamento cresceu 35% e o lucro líquido também aumentou, desempenho atribuído à redução da jornada.

O modelo, no entanto, não se mostrou eficaz para todas as empresas. Das 21 que participaram de um projeto-piloto entre 2023 e 2024, sete continuam com a jornada reduzida, ainda que com adaptações. Outras sete não retornaram o contato, e pelo menos quatro desistiram. Empresas como Smart Duo (arquitetura) e Marfin (inteligência artificial) relataram sobrecarga e dificuldades no atendimento ao cliente.

O que você precisa saber

  • A semana de quatro dias busca aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos funcionários.
  • Resultados variam entre as empresas, com algumas obtendo sucesso e outras enfrentando desafios.
  • A eficiência operacional, a organização do trabalho e a disciplina das equipes são cruciais para o sucesso do modelo.

Eficiência operacional impulsiona resultados

No Coffee Lab, a jornada 4×3 reduziu a carga semanal de 44 para 40 horas, distribuídas em até 10 horas diárias. A cafeteria manteve o funcionamento diário com rodízio de funcionários, permitindo que a equipe dividisse melhor as tarefas e aumentasse as pausas. Raposeiras destaca que a preocupação com o clima organizacional e a eficiência operacional foram fundamentais. O faturamento cresceu 35% nos primeiros seis meses, e o lucro líquido alcançou 22%, superando a média do setor.

A MOL Impacto e a Greco Design também mantiveram a semana de quatro dias, eliminando um dia de expediente. Na MOL, um sistema de rodízio garante a cobertura, e a empresa revisou o uso do tempo, reduzindo reuniões e documentando processos. A Greco Design implementou períodos de concentração e incentivo à comunicação assíncrona. Ambas as empresas relatam que a jornada reduzida se tornou um diferencial para retenção de talentos e bem-estar.

Desafios e custos da jornada reduzida

A implementação da semana de quatro dias pode envolver custos adicionais, especialmente em setores que exigem cobertura contínua. Pesquisadoras apontam a necessidade de mais eficiência, investimentos em treinamento, capacitação e tecnologia, como a automação de processos por meio de inteligência artificial. Há também um custo cognitivo e emocional na gestão da mudança, com equipes precisando se adaptar a novas formas de trabalhar enquanto mantêm a cobrança por resultados.

No caso da escala 6×1, a Confederação Nacional da Indústria estima um acréscimo de até 7% na folha de pagamento. Para a semana de quatro dias, o Brasil ainda carece de pesquisas que dimensionem o custo total. Empresas como MOL Impacto e Greco Design investiram cerca de R$ 7 mil para participar do projeto piloto, mas não relataram custos adicionais para a continuidade do modelo. O Coffee Lab também não teve custos extras, mas antecipou a contratação de duas pessoas para a transição.

Fonte: Estadão

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