Exército prende militares condenados por trama golpista após ordem de Moraes

Exército cumpre mandados de prisão contra militares condenados pelo STF por participação na trama golpista. Cinco foram presos, dois seguem foragidos.

O Exército cumpriu nesta sexta-feira (10) mandados de prisão contra oficiais da corporação condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista.

Os alvos integravam o chamado núcleo da desinformação, composto por sete pessoas. Cinco delas foram alvos das ordens de prisão determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Foram presos Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército, Giancarlo Rodrigues, subtenente da ativa, e Guilherme Almeida, tenente-coronel da ativa. O primeiro militar foi preso em Vila Velha, no Espírito Santo, e os dois últimos em Brasília.

Estão foragidos Reginaldo Abreu, coronel da reserva do Exército, e Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.

A defesa de Reginaldo Abreu informou que o militar vive nos Estados Unidos e deixou o país legalmente, sem ordens judiciais restritivas na época. Não há previsão de retorno ao Brasil.

O STF oficializou em novembro passado o fim do processo e o início do cumprimento da pena dos condenados da trama golpista.

O que você precisa saber

  • Cinco militares foram presos após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
  • Dois militares permanecem foragidos: Reginaldo Abreu e Carlos César Moretzsohn Rocha.
  • O grupo foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de difundir informações falsas sobre urnas eletrônicas.

Núcleo da desinformação e acusações

Os alvos desta sexta foram condenados por participar do núcleo da desinformação. O grupo foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de difundir informações falsas sobre as urnas eletrônicas e promover ataques contra os chefes das Forças Armadas contrários ao golpe de Estado.

Além dos cinco membros com mandados de prisão, fizeram parte do núcleo Ailton Barros (major expulso do Exército) e Marcelo Bormevet (policial federal).

O núcleo foi formado por ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro de escalões inferiores, militares do Exército e outros acusados de disseminar desinformação sobre as eleições.

Segundo a denúncia, os ex-integrantes da Abin Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet participaram de uma estrutura paralela da agência para a produção e disseminação de notícias falsas e ataques contra opositores políticos de Bolsonaro.

O procurador-geral Paulo Gonet disse que o major e ex-assessor do Ministério da Saúde Ângelo Denicoli atuou com o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem nos “ataques sistemáticos de Jair Bolsonaro ao processo eleitoral”.

Já o tenente-coronel Guilherme Almeida foi acusado de difundir o material falso sobre fraude nas eleições presidenciais, e o coronel Reginaldo Vieira de Abreu, de tentar interferir no relatório das Forças Armadas sobre o sistema eletrônico de votação.

Carlos Cesar Rocha foi acusado de produzir um “relatório técnico maliciosamente manipulado” pelo Instituto Voto Legal para o PL.

Segundo Moraes, Rocha fraudou o documento técnico para viabilizar uma representação eleitoral do partido para pedir a anulação de votos e declarar a vitória de Bolsonaro na disputa eleitoral de 2022.

Na ocasião, o ministro disse que a acusação demonstrou a participação de Rocha nos ataques à Justiça Eleitoral, configurando os crimes de abolição do Estado democrático de Direito e organização criminosa. O ministro, porém, votou pela absolvição do réu pelos crimes de golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

O major da reserva Ailton Barros foi acusado de promover ataques virtuais contra os chefes das Forças Armadas que haviam sido contrários à tentativa de golpe. A denúncia apontou que os alvos foram determinados pelo ex-ministro Walter Braga Netto.

Penas estipuladas para o núcleo

Ângelo Denicoli (major da reserva do Exército): 17 anos de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.

Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército): 15 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.

Marcelo Bormevet (policial federal): 14 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.

Giancarlo Gomes Rodrigues (sargento do Exército): 14 anos de prisão em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.

Ailton Barros (major expulso do Exército): 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.

Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército): 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.

Carlos Cesar Rocha (presidente do Instituto Voto Legal): 7 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de 40 dias-multa.

Militares presos em operação contra trama golpista.
Militares foram presos após determinação do STF.
Prédio do Supremo Tribunal Federal (STF).
O STF determinou as prisões dos militares.

Fonte: UOL

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