A Coinbase, maior exchange de criptomoedas nos Estados Unidos, enfrenta múltiplos desafios. A empresa, liderada por Brian Armstrong, está em meio a uma disputa acirrada com bancos sobre o pagamento de juros em stablecoins, um ponto crucial no projeto de lei Clarity Act, que visa regular o setor cripto.
A oposição da Coinbase à proposta de lei em janeiro causou um cisma na indústria e paralisou o avanço do texto no Senado. O atraso na regulamentação, somado à crise do mercado, impactou negativamente o desempenho da empresa na Bolsa, com uma queda de mais de 60% desde julho.
O conflito sobre stablecoins
O ponto central da discórdia é a proibição do pagamento de juros sobre stablecoins. Atualmente, emissores de stablecoins não podem oferecer recompensas aos usuários por manterem esses ativos, mas intermediários como exchanges podem. A Coinbase, cujas receitas com stablecoins ultrapassaram 1,3 bilhão de dólares em 2025, vê essa proibição como uma ameaça direta aos seus ganhos.
A empresa teme que a proibição possa levar a uma fuga de depósitos e reduzir significativamente suas receitas, especialmente em um momento em que busca diversificar seus negócios para além das comissões de negociação, que são voláteis.
Guerra com a grande banca
A Coinbase acusou os bancos de sabotar a regulamentação cripto para defender seus próprios interesses e impedir a concorrência. Essa postura gerou atritos, incluindo um confronto relatado entre Brian Armstrong e Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, em Davos.
Bancos como Citi e Wells Fargo demonstraram pouca disposição para diálogo com a Coinbase, intensificando a percepção de uma guerra entre a exchange e o setor bancário tradicional.
Cisma na indústria cripto
A posição firme de Armstrong, expressa na frase “Preferimos não ter nenhum projeto de lei a ter um ruim”, gerou desconfiança em parte do setor cripto. Empresas como a16z, Galaxy Digital, Ripple, Kraken e Paradigm, que apoiavam o Clarity Act, consideram que a regulamentação, apesar de passível de melhorias, era essencial para trazer clareza ao mercado.
A paralisação da lei gerou incerteza, enquanto outros países avançam em suas regulamentações. A falta de um marco regulatório claro prejudica as empresas americanas, que operam em um ambiente de ambiguidade.
Perspectivas e impactos
Um novo rascunho do Clarity Act pode ser apresentado em breve, possivelmente ampliando a proibição do pagamento de juros sobre stablecoins, mas permitindo recompensas baseadas na atividade do usuário. No entanto, rumores indicam que Armstrong pode rejeitar novamente essa proposta, aumentando a frustração no setor.
Um relatório da Casa Branca, no entanto, apoia a postura da Coinbase, argumentando que a proibição teria pouco efeito nos bancos e um impacto marginal nos empréstimos tradicionais, ao mesmo tempo que privaria os consumidores de benefícios ao investir em stablecoins.
Apesar do apoio da administração, a situação pressiona a Coinbase. As ações da empresa caíram mais de 60% desde julho, e analistas como Bernstein e Goldman Sachs reduziram seus preços-alvo. A incerteza regulatória e a queda do mercado cripto deixam a companhia em uma posição de fragilidade.
Fonte: Cincodias