O conflito no Oriente Médio pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, alertou Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional). A situação pode se agravar dependendo da manutenção do cessar-fogo.
Em discurso anterior às reuniões de primavera do hemisfério norte, Georgieva afirmou que o FMI prevê uma demanda adicional por assistência dos países membros entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões (R$ 101 bilhões e R$ 254 bilhões). A instituição possui recursos para enfrentar esse impacto, mas a alta nos preços de energia e as interrupções no fornecimento de petróleo, gás natural e fertilizantes representam um risco significativo.
Isso elevaria o número total de pessoas que sofrem de fome para mais de 360 milhões. Mesmo no melhor cenário, não haverá um retorno imediato à situação anterior ao início das hostilidades.
Impactos na economia global
O FMI deverá publicar uma versão atualizada de seu relatório sobre as perspectivas da economia global, que considerará os efeitos do conflito. Devido às incertezas, o estudo incluirá uma série de cenários, desde uma normalização rápida da situação geopolítica até um cenário em que os preços do petróleo e do gás permaneçam elevados por mais tempo.
Isso poderia colocar em dúvida a ancoragem das expectativas de inflação do mercado e desencadear um novo e custoso ciclo de inflação para as economias globais. Mesmo o melhor cenário prevê uma revisão para baixo do crescimento global.
Danos e vulnerabilidades regionais
Danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos, perda de confiança e outros fatores são responsáveis por um crescimento mais lento, mesmo que a paz seja duradoura. Os efeitos não são os mesmos em todas as regiões do planeta.
Países importadores de petróleo e países de baixa renda, que possuem margem fiscal mais limitada, estarão entre os mais afetados. Nações insulares do Pacífico, no final da cadeia de suprimentos, podem não receber a energia de que precisam devido a essas graves interrupções.
Um relatório do Banco Mundial observou que os países do Oriente Médio pagaram um custo econômico imediato e severo devido à guerra. Está prevista uma queda de 0,6 ponto percentual no crescimento da região em 2026.
Recomendações do FMI
Diante dessa situação, os governos podem ajudar de diversas maneiras, mas devem evitar medidas como o controle de exportações ou de preços. No curto prazo, é aconselhável aguardar e avaliar a evolução da situação geopolítica.
Contudo, caso as expectativas de inflação se alterem, os bancos centrais devem agir com firmeza, elevando as taxas de juros, concluiu Georgieva.

Fonte: UOL