FMI alerta para sequelas econômicas da guerra e prevê crescimento mais lento

FMI alerta que guerra no Oriente Próximo causará crescimento global mais lento e sequelas econômicas duradouras, com risco inflacionário e impacto em cadeias de suprimentos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta sobre as consequências econômicas duradouras da guerra no Oriente Próximo, prevendo que mesmo o cenário mais otimista contemplará uma revisão para baixo do crescimento global. Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, destacou que os danos à infraestrutura energética, interrupções no fornecimento e a perda de confiança impactarão negativamente a economia mundial.

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Georgieva ressaltou que o futuro é incerto quanto às rotas de trânsito, como o Estreito de Ormuz, mas o crescimento econômico será mais lento, mesmo que a paz se estabeleça de forma duradoura. Ela descreveu o discurso como um dos mais pessimistas desde a pandemia, enfatizando que a guerra causou uma perturbação significativa nas cadeias de suprimentos globais e uma crise energética cuja evolução depende do cessar-fogo.

Risco inflacionário e resposta dos bancos centrais

A solidez da economia mundial está sendo testada pela guerra, que provocou um impacto global e assimétrico devido aos cortes no fornecimento de petróleo. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela considerável do petróleo mundial, já causa o aumento dos preços. Georgieva aconselhou os países a não agirem unilateralmente na crise energética, pois isso poderia agravar a situação. Ela incentivou os bancos centrais a monitorarem as expectativas de inflação e a agirem com aumentos de juros caso necessário.

Impacto da guerra e recuperação econômica

A magnitude do impacto econômico da guerra dependerá da manutenção do cessar-fogo e da extensão dos danos. O FMI apresentará três cenários em seu relatório de Perspectivas Econômicas Mundiais, mas adverte que a recuperação não será imediata, mesmo no melhor dos casos. O exemplo dos ataques ao complexo industrial de Ras Laffan, no Qatar, demonstra que a recuperação da capacidade de produção de gás natural pode levar de três a cinco anos, mantendo os preços elevados por um longo período.

Georgieva também comentou sobre as medidas fiscais adotadas por alguns países para aliviar o preço dos combustíveis, afirmando que o apoio fiscal deve ser focalizado e temporário. Ela alertou que muitos países carecem de espaço fiscal para lidar com crises, e o estímulo financiado por déficit pode amplificar as mudanças e prejudicar a política monetária.

Reguladores financeiros e a inteligência artificial

A diretora-gerente do FMI destacou o papel crucial dos reguladores financeiros em se manterem alertas e ágeis diante dos riscos crescentes. Ela mencionou o direcionamento de recursos para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), que impulsiona o crescimento, mas também apresenta riscos de reversão. A insegurança energética, por exemplo, pode frear o crescimento da IA, dadas suas enormes necessidades energéticas.

Países importadores de petróleo mais vulneráveis, como os da África Subsaariana e nações insulares pequenas, enfrentarão custos mais altos para a aquisição de petróleo. O FMI prevê um aumento na demanda por apoio à balança de pagamentos, estimado entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões, dependendo da manutenção do cessar-fogo. A instituição se mostrou disposta a auxiliar esses países a navegarem pela incerteza.

Fonte: Elpais

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