Donald Trump usa lógica dialética para reforçar hegemonia dos EUA

Donald Trump utiliza uma lógica dialética complexa, combinando ultimatos e ações militares, para reforçar a hegemonia dos EUA em um cenário global de crises sistêmicas e avanços tecnológicos.

A estratégia de Donald Trump, marcada pela alternância entre ultimatos, ações militares e acordos temporários, reflete a lógica de Sun Tzu de confundir para vencer sem combate. Essa abordagem é aplicada em sua política global, que engloba tarifas, conflitos bélicos, negacionismo climático e restrições à imigração, visando consolidar um poder imperial capaz de enfrentar o desafio de outras potências, como a China.

A China avança rapidamente, com um PIB (PPA) um terço maior que o dos EUA, embora seu PIB per capita seja menor. O país supera os EUA em registros anuais de patentes de alta tecnologia. No entanto, as cinco maiores empresas de tecnologia americanas dominam o negócio digital global, impulsionadas por dívidas, que contribuem para o alto índice de endividamento total dos EUA (364% do PIB).

Crise sistêmica e conflitos hegemônicos

Os ataques dos EUA e Israel ao Irã se inserem em um contexto de confrontação hegemônica, agravado por uma crise sistêmica que afeta as esferas econômica, social, política, ecológica e existencial. A ascensão da inteligência artificial generativa, vista como inteligência humana digitalizada e controlada por megacorporações, intensifica essa crise.

Enquanto corporações globais registram lucros recordes, os salários em muitos países estagnaram, resultando em perda de poder aquisitivo e degradação social. A pobreza afeta uma parcela significativa da população mundial, com milhões vivendo com menos de US$ 5,50 por dia. Nos EUA, os benefícios corporativos aumentaram com os cortes de impostos de Trump, enquanto milhões permanecem sem assistência.

Trump busca recuperar a economia dos EUA

A política de Trump visa fortalecer a hegemonia americana e recuperar sua economia, que tem sido erodida no capitalismo globalizado. A maximização de lucros por transnacionais entra em conflito com a distribuição de renda necessária para a coesão social. Sua resposta foca nas demandas das elites, incluindo guerras tarifárias para disputar mercados e guerras militares para dominar o mercado mundial de energia.

O negacionismo climático de Trump é crucial para manter os combustíveis fósseis como base energética, contrariando a transição para energias renováveis, apostada pela China e pela União Europeia. Essa postura visa prolongar a dependência de fontes fósseis, apesar das consequências ambientais.

Controle de recursos energéticos

Os EUA buscam controlar o centro do tabuleiro energético global, incluindo petróleo e gás, essenciais para dominar mercados e manter a supremacia tecnológica e militar. A exploração do gás de xisto nos EUA, embora tenha impulsionado a produção e exportação, requer preços elevados para ser rentável, o que leva Trump a buscar a redução da oferta de outros produtores.

O controle sobre Venezuela, Irã, Canadá e Groenlândia permitiria aos EUA dominar uma parcela significativa das reservas e exportações mundiais de petróleo e gás. Isso lhes daria poder para condicionar a produção e os preços globais de energia e alimentos, potencialmente gerando insegurança alimentar e deflação mundial.

Impacto na América Latina e Europa

Para a América Latina, a estratégia americana implica aumentar a pressão para expulsar a China de infraestruturas e exploração de recursos. Na Europa, o objetivo é desestabilizar e dividir a União Europeia, frear a transição energética e dominar seus mercados. Os EUA também pressionarão por tarifas e pela eliminação ou limitação de regulamentações europeias em áreas como serviços digitais e inteligência artificial.

Inteligência artificial e o futuro do trabalho

A inteligência artificial, dominada por corporações americanas, demandará grandes quantidades de energia e água, reconfigurando a produção, distribuição e consumo. Prevê-se um ajuste radical no mercado de trabalho, com a automação eliminando milhões de empregos até 2030. A política de expulsão de imigrantes de Trump pode ser vista, nesse contexto, como uma tentativa de liberar empregos para a população branca.

O controle sobre Venezuela e Irã é fundamental para quebrar elos da Nova Rota da Seda chinesa, impactando alianças estratégicas em energia, infraestrutura e tecnologia.

A guerra e o armamentismo contínuos servem a interesses econômicos, deixando em segundo plano a humanidade e a natureza. Como disse Bertolt Brecht, o autoritarismo disfarça o conteúdo econômico de sua violência.

Fonte: Cincodias

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