O economista Gustavo Franco, fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central, criticou a atual política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Franco comparou o modelo a um carro que gasta muita energia, mas não avança, gerando pouquíssimo progresso.
Segundo Franco, a situação atual gera risco e tensão financeira, podendo levar a um estresse no sistema financeiro e ao endividamento excessivo das companhias. Ele alertou para a possibilidade de uma recuperação judicial desencadear uma reação em cadeia.
Franco avalia que a gestão atual falhou ao tentar cumprir a meta fiscal priorizando o aumento da arrecadação em detrimento do corte de gastos. Ele refutou a ideia de que a solução para o desequilíbrio fiscal viria da cobrança de impostos sobre sonegados, afirmando que o Brasil já possui uma carga tributária elevada e que a tentativa de aumentá-la fracassou tanto politicamente quanto na prática.
O economista defende que a resolução do problema fiscal passa pelo controle de gastos, e não pelo aumento de impostos. Ele criticou a associação do corte de gastos a pautas de direita, classificando-a como uma distorção do debate público e historicamente incorreta.
Austeridade e alternância de poder
Franco relembrou que, após a primeira eleição de Lula em 2002, houve uma percepção de que a alternância no poder manteria a estabilidade econômica. Ele destacou que os governos Lula 1 e 2 (2003-2010) mantiveram o controle dos gastos públicos, com superávit primário consistente. No entanto, ele apontou que a partir do governo de Dilma Rousseff, com a “nova matriz macroeconômica”, o debate sobre austeridade começou a ser visto como uma pauta “neoliberal”.
Ele ressaltou que a manutenção de limites orçamentários não é uma questão ideológica, mas sim de matemática, e que a aversão ao corte de gastos prejudica a discussão sobre as finanças públicas.
Organização fiscal primitiva
Considerado um dos pais do Plano Real, Franco avalia que, embora o plano tenha organizado o sistema monetário, a organização fiscal do Brasil permanece primitiva. Ele descreveu o processo de elaboração do orçamento público como “torto” e propenso a erros.
Franco acredita que o Congresso Nacional deveria ser o palco para discussões sérias sobre os limites e possibilidades financeiras do país. Ele observou que os políticos frequentemente evitam a competição por recursos escassos, uma realidade que, segundo ele, é óbvia para economistas, mas não para os legisladores.
Perspectivas para o próximo governo
Apesar de suas críticas ao governo atual, Franco demonstra esperança em uma mudança de mentalidade a partir de 1º de janeiro de 2027, seja com uma nova liderança ou com uma “velha liderança com uma nova cabeça”. Ele considera o período eleitoral de 2026 crucial para o debate público de ideias econômicas.
O economista enfatiza a necessidade de o próximo presidente apresentar um plano de ação que responda às ansiedades da sociedade, especialmente em relação ao endividamento público. Ele questiona o futuro das novas gerações, que já nascem em um cenário de alta dívida pública, e as opções para saldar essa conta, seja por meio de impostos ou de outras medidas.

Fonte: Infomoney