Influenciadores ocidentais promovem Afeganistão sob o Talibã?

Influenciadores ocidentais promovem o Afeganistão sob o Talibã, gerando debate sobre ética e representação de destinos com regimes autoritários.

Influenciadores digitais têm explorado destinos exóticos, incluindo o Afeganistão sob o regime do Talibã, com vídeos e posts que buscam atenção em plataformas como Instagram e YouTube. Apesar dos avisos oficiais de viagem, criadores de conteúdo documentam suas experiências no país.

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Zoe Stephens, uma criadora de conteúdo britânica, viajou ao Afeganistão diversas vezes, compartilhando em seu canal no YouTube, Zoe Discovers, e outras redes, uma série sobre a situação das mulheres no país. Ela afirma buscar apresentar um retrato mais equilibrado, em contraste com outros influenciadores que passam poucos dias no país e focam em aspectos superficiais.

Interação com membros do Talibã

Alguns influenciadores publicam vídeos interagindo e posando com membros armados do Talibã, descrevendo-os como amigáveis. Essas postagens frequentemente incluem visitas a pontos turísticos populares, antes de seguirem para o próximo destino em suas listas de viagens.

As seções de comentários dessas publicações frequentemente recebem críticas severas. Muitos usuários acusam os influenciadores de apoiar indiretamente o regime do Talibã, que tem planos de impulsionar o turismo no país. Críticos argumentam que promover o Afeganistão como destino turístico é moralmente questionável, dada a situação do país.

Claudia Paganini, filósofa da Universidade de Innsbruck, concorda que a estética predominante em vídeos de viagem pode ser problemática em regimes ditatoriais que violam direitos humanos. Ela ressalta que muitos problemas sociais e políticos não são visíveis em vídeos curtos, o que pode levar à minimização das graves condições de direitos humanos no Afeganistão.

Conteúdo de mídia social

Diferentemente do jornalismo tradicional, o conteúdo de influenciadores digitais não possui um código de conduta estabelecido. Paganini sugere a criação de um selo de qualidade para posts de mídia social, mas reconhece que as plataformas digitais priorizam a atenção e o engajamento, como cliques e curtidas, em detrimento de regulamentações mais rígidas.

Johannes Klaus, fundador da plataforma Reisedepechen, afirma que o conteúdo de viagem em mídias sociais baseia-se em conceitos sensacionalistas para obter visibilidade. Ele defende a criação de um código de conduta para blogueiros, visando garantir a independência jornalística, mas duvida que a cena de influenciadores adote tal medida, pois o foco principal é o entretenimento, não o jornalismo.

Autocensura e diversidade de conteúdo

Enquanto alguns vídeos sobre o Talibã alcançam milhões de visualizações, os conteúdos de Stephens têm menor alcance. Ela continua a produzir reportagens factuais, mas admite a necessidade de autocensura para manter seu trabalho no país, buscando evitar ser banida. Stephens acredita que nem todos os aspectos da vida no Afeganistão precisam ser politizados, destacando a importância da cultura, culinária e história do país.

Fonte: Dw

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