A retórica de Donald Trump contra o Irã levanta a possibilidade de duas consequências globais: a queda do regime iraniano e uma derrota do presidente americano nas eleições primárias. No entanto, a mudança estrutural no Irã é considerada improvável devido à forte influência da Guarda Revolucionária.
A hipótese de Trump perder o controle do Congresso a partir de novembro é mais realista, com sua aprovação geral abaixo de 40%. O presidente americano baseou seu mandato em promessas isolacionistas, como a expulsão de imigrantes ilegais e o fechamento ao comércio internacional, medidas que podem se provar equívocos econômicos.
Trump também tentou se isolar de conflitos internacionais, demonstrando simpatia pela Rússia na Ucrânia e mudando sua postura em relação à Venezuela. Sua estratégia de confrontar o Irã, instigado por Israel, subestimou a força do aparato repressivo iraniano e a falta de um líder claro para substituição.
A interdição do Estreito de Ormuz, por onde trafega 20% do petróleo mundial, é uma consequência direta do conflito. Trump intensificou a aposta, ameaçando a destruição da civilização iraniana, mas horas depois aceitou um cessar-fogo de duas semanas.
O cenário ideal seria a não prosperidade da violência, a transição do regime iraniano para um governo menos coercitivo e a derrota de Trump, que perderia seu poder intimidador global. Sonhar com um mundo mais pacífico permanece como uma opção gratuita.
Fonte: Estadão