EUA e Irã firmam trégua e abrem cautela para reabertura do Estreito de Ormuz

EUA e Irã firmam trégua de duas semanas, abrindo cautela para reabertura do Estreito de Ormuz. Operadores buscam detalhes e monitoram tráfego marítimo.
MUSCAT, OMAN - MARCH 30: A police speed boat patrols the port as oil tankers and high speed crafts sit anchored at Muscat Anchorage near the Strait of Hormuz on March 30, 2026 in Muscat, Oman. Several Chinese-owned vessels were reportedly able to transit the Strait of Hormuz today, the day after U.S. President Donald Trump said Iran would allow 20 ships to cross through the vital waterway. Maritime traffic through the Strait of Hormuz, which conveys about a fifth of the world's oil and gas, has mostly come to a halt after the joint U.S.-Israeli war with Iran that began on February 28. (Photo by Elke Scholiers/Getty Images)

Operadores buscam detalhes sobre o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que pode desbloquear temporariamente o Estreito de Ormuz. A passagem estratégica está praticamente fechada desde ataques americanos e israelenses no fim de fevereiro, que levaram o Irã a intensificar o controle, desencadeando uma crise de abastecimento de energia. Na noite de terça-feira, as duas partes firmaram uma trégua em troca da reabertura da passagem.

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trump ira teera
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Os detalhes centrais do acordo permanecem indefinidos. O Irã afirma ter concordado com duas semanas de passagem segura em coordenação com suas Forças Armadas. Trump, por sua vez, anunciou uma “ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA E SEGURA”, indicando que os EUA “ajudarão com o congestionamento do tráfego” para garantir a fluidez da navegação.

O que você precisa saber

  • Ambos os lados reivindicaram vitória após cessar-fogo de duas semanas; negociações prosseguem.
  • Trégua de duas semanas reduz tensões no Oriente Médio e abre caminho para reabertura do Estreito de Ormuz.
  • Futuros de Nova York avançam e petróleo tomba com cessar-fogo entre EUA e Irã.

Cautela de armadores e seguradoras

Armadores na Ásia, Oriente Médio e Europa receberam a perspectiva de reabertura com alívio e cautela. Houve poucas mudanças imediatas no tráfego ao redor do estreito. Empresas acionaram seguradoras e assessores de segurança, colocando embarcações em estado de alerta.

“O cessar-fogo pode criar oportunidades de trânsito, mas ainda não oferece plena segurança marítima e precisamos entender todas as condições potencialmente associadas ao acordo”, afirmou um porta-voz da A.P. Moller-Maersk, segunda maior operadora de contêineres do mundo, destacando que as informações disponíveis ainda são limitadas.

Retomada gradual da navegação

A japonesa Nippon Yusen Kabushiki Kaisha, uma das maiores empresas de navegação do mundo, informou que acompanha a situação de perto. Nas últimas seis semanas, o tráfego pela rota energética caiu drasticamente, em contraste com as cerca de 135 embarcações que transitam diariamente em tempos de paz.

“Não se religam os fluxos globais de navegação em 24 horas”, disse Jennifer Parker, professora adjunta do Instituto de Defesa e Segurança da Universidade da Austrália Ocidental. “Proprietários de petroleiros, seguradoras e tripulações precisam acreditar que o risco de fato diminuiu, não apenas foi pausado.”

Navios de transporte de energia compõem grande parte da frota presa no Golfo. São atualmente 426 petroleiros transportando petróleo bruto e combustíveis limpos, além de 34 navios de gás liquefeito de petróleo e 19 embarcações de gás natural liquefeito (GNL). O restante carrega commodities sólidas ou contêineres.

Planos de cessar-fogo são um passo necessário, mas apenas inicial, avaliou Lewis Hart, chefe de seguros marítimos na Ásia da corretora Willis Towers Watson. “Mesmo dentro de uma janela de duas semanas, esperamos que a retomada da atividade ocorra de forma gradual, e não de uma só vez.”

Traders e armadores monitorarão de perto quais navios começam a se mover em direção ao estreito e como serão recebidos. Na manhã desta quarta, mais de 1.000 embarcações aguardavam nos dois lados da passagem.

“É bom ver o mercado reagindo dessa forma, mas este é o primeiro dia de um cessar-fogo tentativo”, disse Michael Pregent, ex-assessor de inteligência dos EUA. “É provável que o regime controle quem passa, quanto cobra e a quem nega a passagem.”

Os dois primeiros navios a tentar saída desde o anúncio do acordo pareciam navegar em dupla em direção às ilhas iranianas de Larak e Qeshm. Um deles é o Tour 2, um petroleiro sancionado pelos EUA e com bandeira iraniana. Ao lado do petroleiro navegava o NJ Earth, um graneleiro de propriedade grega.

Outros navios com vínculos com o Irã pareciam se dirigir a Ormuz a partir do interior do Golfo Pérsico. Nenhum foi observado cruzando no sentido inverso.

O trânsito de navios de GNL também será acompanhado com atenção especial. Cerca de 20% do tráfego global de GNL passou por Ormuz no ano passado.

Segundo levantamento da Organização Marítima Internacional, cerca de 20.000 marinheiros civis estão a bordo de navios retidos no Golfo e de outras embarcações de apoio, enfrentando escassez de suprimentos, fadiga e estresse psicológico.

Fonte: Infomoney

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