Marcas de automóveis chinesas estão aproveitando a tecnologia brasileira para acelerar o lançamento de seus veículos híbridos flex, inaugurando um novo momento de compartilhamento tecnológico no setor automotivo.



Antônio Filosa, presidente-executivo do grupo Stellantis, confirmou que carros da Leapmotor, a serem montados em Goiana (PE), utilizarão um motor de origem Fiat. Este motor é capaz de consumir tanto gasolina quanto etanol, e quando associado ao sistema elétrico da Leapmotor, cria um novo nicho de mercado: os REEVs (veículos elétricos com extensor de autonomia) abastecidos com combustíveis brasileiros. A produção está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Tecnologia híbrida flex em foco
Nesses veículos, o motor a combustão atua primariamente como um gerador. A Leapmotor já havia introduzido no mercado brasileiro o SUV C10, que utiliza um motor 1.5 turbo de origem chinesa, mas limitado ao uso de gasolina. Espera-se que o modelo B10 seja o primeiro a receber a motorização Fiat, combinando eficiência energética e redução de emissões com a possibilidade de recarga da bateria na tomada.
Novos modelos e parcerias estratégicas
Outras montadoras como Renault e Geely também preparam suas tecnologias híbridas flex, com modelos PHEV (híbridos plug-in) aguardados em breve. O SUV EX5 EM-I da Geely, com produção confirmada em São José dos Pinhais (PR) na fábrica compartilhada com a Renault, promete médias de consumo superiores a 20 km/l e autonomia elétrica acima de 100 km. A motorização flex para a Geely está sendo desenvolvida pela Horse Powertrain, com estreia comercial ainda sem data definida.
Expansão da produção e diversificação
A GAC também confirmou a produção de modelos híbridos flex em Catalão (GO), com o SUV médio GS3 sendo o provável primeiro modelo a receber a tecnologia. O grupo Caoa avança em Goiás com modelos híbridos das marcas Chery e Changan, e o Changan Uni-T deve ganhar em breve uma opção eletrificada. A BYD está desenvolvendo o Song Pro PHEV com adaptação para etanol, com montagem prevista em Camaçari (BA), e a GWM planeja lançar versões do Haval H6 e do Tank 300 com a mesma tecnologia.
Esses lançamentos podem impactar montadoras como Volkswagen, Honda, GM e Nissan, que ainda não apresentaram seus produtos híbridos flex. A Toyota, pioneira com o Corolla Hybrid Flex, tem obtido bons resultados com o Yaris Cross HEV.
Apesar do potencial da Leapmotor no Brasil, Antônio Filosa, da Stellantis, defende a necessidade de mecanismos de equalização para a competição com as marcas chinesas, citando a competitividade estrutural elevada do ecossistema de produção chinês.
Fonte: UOL