Donald Trump encontrou uma forma de apresentar uma narrativa interna favorável e, possivelmente, evitar as consequências mais severas de uma crise econômica e derrota eleitoral. Após ameaçar ações drásticas contra o Irã, o presidente americano recuou de seu quarto ultimato, que exigia a “rendição incondicional” de Teerã.



Trump deve argumentar que desmantelou as armas iranianas, eliminou lideranças consideradas problemáticas e promoveu uma “mudança de regime”, declarando o fim da guerra dentro de um prazo autoimposto. Ele também poderá afirmar que suas ameaças levaram o Irã a reabrir o Estreito de Hormuz, um objetivo que ele próprio havia declarado como ponto de conflito.
A expectativa é de alívio nos preços da gasolina e do diesel. Trump pode apostar na curta memória coletiva, agravada pelo consumo de redes sociais, para encerrar a questão, mesmo que o Irã não ceda a todas as exigências americanas. O Irã, por sua vez, declarou ter atingido seus objetivos de guerra e pretende manter o controle sobre o Estreito de Hormuz, com a passagem de navios a ser “coordenada” pelas Forças Armadas iranianas, o que lhe conferiria uma “posição econômica e geopolítica única”.
O plano de paz iraniano inclui demandas como controle de Hormuz, direito de enriquecer urânio, fim das sanções internacionais, reparações de guerra e retirada de tropas americanas da região. A aceitação de qualquer um desses pontos representaria uma derrota para os Estados Unidos.
Um cessar-fogo pode se concretizar se o Irã cumprir a promessa de não atacar navios no Estreito de Hormuz. Os americanos afirmaram ter interrompido os bombardeios após o anúncio de suspensão da guerra por Trump.
O risco de Trump ter prometido o fim da “civilização” no Irã, seja por delírio ou estratégia, era real. Havia a possibilidade de o Irã ter capacidade para destruir instalações de produção e transporte de petróleo no Golfo, o que provocaria altas imediatas no preço do petróleo e nas taxas de juros globais, gerando inflação e outras crises, inclusive nos Estados Unidos.
Com eleições legislativas marcadas para o final do ano, Trump pode enfrentar uma derrota eleitoral, especialmente se os democratas conseguirem maioria no Senado para aprovar sua deposição. A atual taxa de aprovação de Trump, que caiu para o menor nível desde sua posse, pode indicar uma derrota nas urnas.
Fonte: UOL