O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar o funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a atuação do crime organizado no Brasil. A decisão foi comunicada ao senador Alessandro Vieira, relator da CPI.
Vieira classificou a decisão como um “desserviço ao país”, argumentando que Alcolumbre alegou implicações no calendário eleitoral para justificar a recusa em estender o prazo por mais 60 dias. O relator expressou frustração com o posicionamento unilateral do presidente do Senado.
Diferentemente de outras situações, o senador não pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar a prorrogação, afirmando que jogará o jogo pelas regras, apesar de considerar que elas estão sendo quebradas por outros poderes.
Vieira também mencionou a demora do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, em se manifestar sobre o pedido de instalação de uma CPMI para investigar o escândalo do Banco Master. Ele criticou a recusa em receber senadores em audiência e anunciou que apresentará um pedido de nova CPI para investigar relações entre ministros do STF e o crime organizado.
Presença de Galípolo na CPI
O senador confirmou que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, comparecerá à sessão da CPI. A participação do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, ainda não está confirmada, embora ele tenha sido convocado.
Vieira esclareceu que o habeas corpus obtido por Campos Neto não o isenta de comparecer à convocação de quarta-feira. O convite a Galípolo se deve à sua presença em uma reunião com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que, segundo o requerimento, suscita questionamentos sobre a finalidade e o conteúdo do encontro.
No caso de Campos Neto, a gestão dele autorizou a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro, posteriormente rebatizado como Banco Master. O depoimento de Campos Neto é considerado relevante como testemunha qualificada, dada sua experiência durante a presidência do Banco Central.
Fonte: Globo