A nova iniciativa do governo federal para subsidiar o gás de cozinha (GLP) importado pelo Brasil, anunciada na véspera, não chegará aos consumidores e também não resolve os problemas que podem inviabilizar o programa Gás do Povo. A informação foi divulgada pela associação de revendedores de GLP, Abragás.






Os revendedores de gás liquefeito de petróleo (GLP) pedem que o governo faça uma correção célere dos preços de referência para o pagamento do subsídio aos botijões do Gás do Povo. Os valores estariam abaixo do necessário para remunerar suas atividades, e o produto é entregue aos beneficiários sem custos.
O problema de defasagem do preço de referência do programa foi agravado pelo aumento dos custos dos revendedores, principalmente pela disparada dos preços do próprio GLP e do diesel. Isso ocorreu diante da restrição da oferta global de petróleo e seus derivados, impactada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O Brasil tem um histórico de subsídio ao gás de cozinha para os brasileiros mais pobres. O governo Lula expandiu o programa com o Gás do Povo, triplicando seu alcance para quase um quarto da população brasileira até o fim de 2025.
“O setor está fazendo um papel essencial para o sucesso do programa, mas com resultados negativos, não há lógica para continuar a parceria, enquanto apenas as distribuidoras colhem os resultados financeiros”, afirmou a Abragás, que representa mais de 60 mil revendedores de GLP do país, em nota divulgada nesta terça-feira.
Para a Abragás, a subvenção proposta pelo governo federal para a importação de GLP “não será repassada às revendas e tampouco chegará aos consumidores como o governo espera”, pois poderá ficar represada em elos anteriores da cadeia.
O governo ainda não detalhou as regras do programa nem se ele poderá ter efeitos retroativos, uma vez que os impactos da guerra no Oriente Médio já chegaram ao mercado brasileiro.
A nova medida do governo prevê o pagamento de R$850 por tonelada de GLP importado, com dotação de R$330 milhões. O objetivo é equalizar o preço do produto importado ao nacional e reduzir os efeitos da alta internacional, segundo informou o governo em nota.
O subsídio pode representar cerca de 30% do valor do produto na saída das refinarias, contribuindo para preservar o acesso das famílias ao gás de cozinha.
O Brasil não é autossuficiente na produção de GLP e importa cerca de 20% do volume consumido atualmente. A Petrobras é a principal ofertante do produto no país, mas refinarias e unidades de processamento de gás natural (UPGNs) privadas também vendem o produto.
A Petrobras tem mantido seus preços em contratos tradicionais sem reajustes desde o fim de 2024 e, desde então, tem recorrido a leilões cada vez mais frequentes para completar a oferta, como forma de recuperar custos com a importação, segundo agentes do mercado e especialistas.
O governo tentou cancelar a realização do último leilão da petroleira, em 31 de março, que negociou cerca de 70 mil toneladas de GLP, com fortes ágios. Em um dos polos de venda da companhia, a empresa chegou a registrar um ágio de mais de 100% na comercialização do produto.
A realização do leilão acabou culminando na demissão do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras. A reguladora ANP está investigando o certame por suspeitas de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos Preços de Paridade de Importação (PPI).
Fonte: Moneytimes