Um auditor fiscal aposentado da Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Alberto Toshio Murakami, conhecido como ‘Americano’, que é procurado pela Interpol, alegou à Justiça que possuía um projeto de vida no exterior antes de se tornar alvo de mandado de prisão preventiva. Ele é suspeito de operar um esquema de fraudes bilionárias no ressarcimento de créditos de ICMS.
A defesa de Murakami argumentou que o fiscal, com 63 anos, é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa tanto no Brasil quanto nos EUA. A defesa também apontou que a esposa do fiscal é CEO de uma empresa americana de importação de mármore, e que a decisão de residir fora do país foi tomada de forma natural como um projeto de vida pós-aposentadoria.
Operação Ícaro e Difusão Vermelha da Interpol
Em janeiro, a Justiça de São Paulo determinou a inclusão do nome de Alberto Toshio Murakami na Difusão Vermelha da Interpol. A decisão foi tomada pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, a pedido de promotores do Gedec. O Ministério Público combate delitos de ordem econômica e descobriu os caminhos da corrupção na Fazenda paulista.
O esquema envolvia o ressarcimento indevido de créditos de ICMS-ST mediante subornos milionários. A defesa de Murakami sustenta que a mudança para o exterior ocorreu de forma lícita e transparente, antes de qualquer decreto prisional ou da deflagração da Operação Ícaro.
Mansão de R$ 7 milhões no Tennessee
Os promotores suspeitam que ‘Americano’ esteja morando em sua mansão de mil metros quadrados, avaliada em US$ 1,3 milhão, no Tennessee. Murakami trabalhava na Delegacia Regional Tributária III (Butantã), onde analisava os pedidos de ressarcimento de ICMS-ST da Ultrafarma, uma das varejistas citadas no esquema, e emitia pareceres favoráveis.
Além de Murakami, outros seis investigados foram denunciados, incluindo Artur Gomes da Silva Neto, apontado como mentor do esquema que arrecadou pelo menos R$ 1 bilhão em propinas. A defesa de Murakami argumenta que sua ausência física no Brasil não pode ser interpretada como fuga, pois ele se coloca à disposição e oferece meios de comunicação para acompanhamento processual.
Fonte: Estadão