O ultimato do ex-presidente Donald Trump ao Irã para abrir o Estreito de Ormuz gerou questionamentos sobre uma possível escalada militar. O economista Nouriel Roubini avalia que os Estados Unidos estão diante de um dilema: escalar o conflito e vencer, ou buscar um acordo. Uma escalada mal-sucedida seria um “desastre econômico, financeiro e geopolítico”, segundo ele.






Roubini criticou a estratégia inicial de Trump, que subestimou a reação iraniana ao iniciar o conflito. Recuar agora, na visão do economista, teria custos políticos elevados, especialmente às vésperas de eleições. “Se ele desistir agora, pode perder as eleições. Se escalar e ganhar, será visto como um herói”, afirmou.
O maior choque da história da humanidade
No campo econômico, Roubini considera que o conflito já representa um choque relevante, com impacto significativo sobre os preços de energia, caso haja interrupções prolongadas no Estreito de Ormuz. No entanto, ele pondera que o mundo atual é menos dependente da Opep e conta com uma base de produção mais diversificada.
O cenário-base projetado pelo economista combina desaceleração do crescimento global com elevação da inflação, em uma dinâmica próxima a um quadro de estagflação. Ele descarta, por ora, uma espiral inflacionária mais aguda, desde que o conflito permaneça contido no tempo. “Quanto mais a guerra durar, maior será o impacto sobre inflação e crescimento”, disse.
Reprecificação global: ganhos concentrados, perdas disseminadas
Roubini destaca uma reconfiguração assimétrica dos efeitos econômicos. Países exportadores líquidos de commodities energéticas, como o Brasil, podem se beneficiar no curto prazo com a valorização do petróleo. Contudo, a alta de preços tende a pressionar o custo de vida e reduzir o poder de compra.
Empresas ligadas à cadeia de petróleo e gás figuram entre as principais beneficiadas. Por outro lado, o impacto negativo recai de forma difusa sobre as famílias, por meio da inflação mais alta e do encarecimento de energia e combustíveis. A magnitude e a persistência dos efeitos dependerão da duração do conflito.
Fonte: Moneytimes