Um bar no Rio de Janeiro causou polêmica ao afixar um cartaz declarando que americanos e israelenses “não são bem-vindos”. Diante das acusações de antissemitismo e xenofobia, defensores da ação alegam que se trata apenas de um “posicionamento político”, e não de uma proibição de entrada.
A distinção entre proibir e não dar boas-vindas é vista como uma armadilha semântica perigosa, que pode higienizar o preconceito e transformar a exclusão em “direito de expressão”. A história demonstra que a barbárie raramente começa com proibições diretas, mas sim com a sinalização de que determinados grupos são indesejados.
O argumento de que a medida é um protesto contra ações de governos de Israel ou dos Estados Unidos não se sustenta. Mirar no indivíduo pelo passaporte, em vez de debater geopolítica, configura segregação. Essa lógica é semelhante à de casos anteriores, onde a hostilidade se dirigia a pessoas por sua origem ou fé.
A perseguição a judeus, por exemplo, historicamente não iniciou com o extermínio, mas sim com a introdução do desprezo. O processo avança de “não compre aqui” para “não se sente nesta cadeira” e, eventualmente, para “você não é bem-vindo”, desumanizando o outro gradualmente.
Setores que se dizem defensores de “espaços seguros” e acolhimento aplaudem o estabelecimento de zonas de exclusão baseadas em nacionalidade ou etnia. Ignorar que “não dar boas-vindas” pode ser inofensivo é desconsiderar que o gueto foi o estágio final de um processo que começou com hostilidade explícita.


Fonte: UOL