Endividamento Familiar Atinge 80,4% e Sinaliza Alerta para o Governo

Endividamento familiar atinge 80,4% em março, novo recorde. Governo planeja medidas para socorrer famílias endividadas e renegociar dívidas.

O endividamento das famílias brasileiras alcançou 80,4% em março, marcando o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice representa um avanço de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro e de 3,3 pontos percentuais comparado a março do ano anterior.

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A CNC emitiu um alerta para os próximos meses, citando os efeitos do conflito no Oriente Médio e o impacto da alta do petróleo nos gastos dos consumidores. Em resposta, o governo federal planeja adotar medidas para auxiliar as famílias endividadas, reconhecendo o cenário como um problema que exige solução imediata.

A entidade destaca que o endividamento tende a continuar sua trajetória de alta até que os efeitos da flexibilização da política monetária se concretizem para o consumidor final. A elevada taxa Selic, embora em processo de redução gradual, ainda encarece o crédito e contribui para o aumento do endividamento.

Adicionalmente, a alta nos preços de combustíveis, como o diesel, tem gerado incertezas sobre a inflação. Esse cenário eleva os custos para as empresas, que podem repassar esses aumentos aos preços finais, reduzindo o poder de compra e incentivando o uso de crédito para despesas essenciais.

Governo Planeja Renegociação de Dívidas

Em paralelo às medidas para mitigar os efeitos da instabilidade externa, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva busca socorrer os brasileiros endividados por meio de um programa de refinanciamento. A proposta visa unificar diversas dívidas de pessoas físicas, como cartão de crédito e crédito pessoal, em um único débito com juros mais baixos e potencial desconto no valor principal.

O plano, discutido entre o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, prevê a renegociação direta com os bancos. Para viabilizar os descontos e o refinanciamento, os bancos podem receber verbas do Fundo de Garantia de Operações (FGO), que garantiria o recebimento dos valores refinanciados em caso de inadimplência.

O programa de refinanciamento de dívidas tem como público-alvo principal famílias com renda de até três salários mínimos. A iniciativa se soma a outras ações governamentais focadas em amenizar a inflação e oferecer suporte financeiro à população.

Fonte: G1

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