O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em março, com 80,4% das residências possuindo dívidas. O dado representa um aumento em relação aos 80,2% registrados em fevereiro e supera os 77,1% de março do ano anterior, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A CNC atribui a persistência do endividamento à demora para que os efeitos dos cortes na taxa básica de juros, a Selic, cheguem ao consumidor. A alta nos preços de combustíveis, como o diesel, também contribui para a incerteza inflacionária e reduz o poder de compra, forçando o uso de crédito para despesas essenciais.
As dívidas consideradas na pesquisa incluem cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheques pré-datados e prestações de veículos e imóveis. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, destacou que, apesar da redução gradual dos juros, o alívio monetário levará meses para se refletir no nível de endividamento das famílias.
Endividamento concentrado em rendas mais altas
Em março, o aumento do endividamento foi mais acentuado entre as famílias com rendas mais elevadas. Para aqueles com renda familiar mensal de até três salários mínimos, a proporção de endividados permaneceu estável em 82,9%. Já na faixa de três a cinco salários mínimos, houve uma leve queda de 82,9% para 82,6%. No entanto, grupos com rendas superiores apresentaram elevação: de 78,7% para 79,2% entre cinco e dez salários mínimos, e de 69,3% para 69,9% para aqueles que ganham acima de dez salários mínimos.
Inadimplência mostra sinais de estabilidade
A proporção de famílias inadimplentes manteve-se estável em 29,6% em março, mesmo patamar de fevereiro, mas superior aos 28,6% de março de 2025. A parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar dívidas em atraso diminuiu ligeiramente, de 12,6% em fevereiro para 12,3% em março. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alertou que uma nova rodada de reajuste nas expectativas de inflação pode pressionar desproporcionalmente as famílias de baixa renda.