O Brasil registrou aproximadamente 900 mil ataques virtuais contra jornalistas em 2025, de acordo com um relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Este número equivale a quase 2,5 mil agressões diárias, ou cerca de 1,7 por minuto.
As informações foram apresentadas no Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão 2025, pelo presidente da Abert, Cristiano Lobato Flôres. O documento indica um crescimento de 35% em relação ao período anterior.
Lobato Flôres destacou que a internet se tornou a principal arena para agressões ao universo jornalístico. “Um deles, agora o principal, é na modalidade virtual. Então nós fazemos um recorte também dos ataques virtuais praticados contra os nossos profissionais e veículos”, explicou.
Em 2024, o volume de publicações foi de cerca de 704 mil, o menor desde o início da medição feita pela Bites para a Abert.
No ano passado, o país registrou 66 casos de violência não letal, afetando pelo menos 80 jornalistas e veículos de comunicação. Houve uma redução de 9,1% nos casos e de 5% no total de profissionais vítimas.
Apesar da redução, os dados apontam que a imprensa sofreu algum tipo de violência a cada cinco dias.
As agressões físicas representaram 39% do total de casos, com 26 registros, um aumento de 11,5% em relação ao ano anterior.
Uso de IA nas agressões virtuais
O levantamento também abordou o uso de inteligência artificial na construção de uma percepção negativa sobre o papel da mídia profissional. Questionamentos sobre o posicionamento ideológico dos veículos de comunicação e a decisão da mídia em enfatizar determinados assuntos em detrimento de outros foram recorrentes.
Cenário mundial
No ranking global de liberdade de imprensa, o Brasil melhorou sua posição, alcançando o 63º lugar entre 180 países, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras. Em 2021, o país ocupava a 111ª posição.
Organizações internacionais apontam a normalização da relação entre jornalistas e o Poder Executivo após o fim do último governo como um dos fatores para a diminuição das agressões contra a imprensa no país.

Fonte: G1