O governo da Coreia do Sul solicitou à União Europeia que atue como mediadora em negociações com a Coreia do Norte. O objetivo é superar a atual desconfiança e hostilidade bilateral e alcançar um avanço nas relações com Pyongyang.






O Ministro da Unificação sul-coreano, Chung Dong-young, expressou o desejo de que a UE facilite um diálogo político entre as duas Coreias, destacando que o bloco europeu é um mediador ideal devido ao seu histórico de resolução de conflitos e integração regional.
UE como mediadora em potencial
A proposta surge em um momento de busca por estabilidade regional, embora analistas demonstrem ceticismo quanto à eficácia da intervenção da UE. Mason Richey, professor de política e relações internacionais, sugere que a Coreia do Sul pode ter visto a delegação europeia como uma oportunidade para obter apoio, especialmente considerando a visita do presidente francês Emmanuel Macron ao país.
Richey ressalta que, embora a UE possa estar disposta a facilitar o diálogo e possua alguma boa vontade em Pyongyang, com embaixadas de nações europeias na Coreia do Norte, o bloco pode hesitar em se envolver se o potencial de sucesso for limitado. Ele também aponta que a UE não é um substituto para a influência dos Estados Unidos nas negociações.
Abordagens de Seul e o cenário geopolítico
Erwin Tan, professor de política internacional, observa que as tentativas de Seul de dialogar com o Norte têm sido consistentemente rejeitadas. Além disso, a Coreia do Sul percebe a atual administração dos EUA como pouco confiável e focada em questões domésticas e no Oriente Médio.
Tan acredita que a UE provavelmente verá o convite coreano de forma positiva, mas não demonstrará um entusiasmo excessivo em participar. Ele menciona a experiência da UE na facilitação da unificação alemã, mas reconhece que a Península Coreana apresenta desafios únicos e complexos.
Crescente alinhamento da Coreia do Norte com Rússia e China
O cenário de negociações é ainda mais complexo devido ao crescente alinhamento da Coreia do Norte com Rússia e China. A Coreia do Norte tem fornecido apoio militar à Rússia na guerra da Ucrânia, recebendo em troca combustível, alimentos e tecnologia avançada. A China, por sua vez, tem intensificado o comércio transfronteiriço para aliviar a pressão sobre o regime de Kim Jong Un.
Diante desse contexto, Kim Jong Un tem endurecido sua postura em relação à Coreia do Sul. Em um congresso recente do Partido dos Trabalhadores da Coreia, ele declarou que todos os laços com Seul foram eliminados e classificou o Sul como sua “entidade mais hostil”.
A tarefa do ministro sul-coreano encarregado de melhorar as relações com o Norte é desafiadora. A principal dificuldade reside em convencer Pyongyang a retribuir os esforços de diálogo, independentemente da participação da UE.
Fonte: Dw