Câmara debate fim da jornada 6×1 e governo avalia acelerar tramitação

Câmara dos Deputados debate o fim da jornada 6×1 em audiência pública, enquanto o governo avalia acelerar a tramitação de um novo projeto de lei sobre o tema.
Plenário da Câmara dos Deputados 09/12/2025 REUTERS/Adriano Machado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados realiza uma audiência pública para discutir o fim da escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias seguidos na semana com um só dia de descanso.

sddefault
sddefault
Lula telefone 2
Lula telefone 2
2026 04 02T011024Z 1173925250 RC2PGKAHNRPM RTRMADP 3 IRAN CRISIS TRUMP ADDRESS
2026 04 02T011024Z 1173925250 RC2PGKAHNRPM RTRMADP 3 IRAN CRISIS TRUMP ADDRESS

O debate ocorre em meio a movimentações dentro do governo para enviar um novo projeto de lei sobre o tema e acelerar sua tramitação no Congresso.

A proposta em análise na Câmara é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim do modelo 6×1. O texto tramita na CCJ desde o ano passado e está na fase inicial de análise, em que os parlamentares avaliam a constitucionalidade da medida antes de avançar para o mérito.

Setor empresarial teme impacto econômico

Para a audiência, foram convidados representantes de diferentes setores da economia, como transporte, comércio, agricultura e indústria. Estão confirmadas as participações de entidades como a Confederação Nacional do Transporte (CNT), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

As entidades do setor produtivo manifestam preocupação com possíveis impactos na produtividade e nos lucros das empresas caso a proposta avance. Por outro lado, a proposta conta com forte apoio popular. Segundo pesquisa Datafolha, 71% dos brasileiros defendem mudanças na jornada de trabalho.

Governo cogita projeto de lei

O debate ocorre em um momento em que o governo volta a discutir internamente a possibilidade de encaminhar um projeto de lei em vez de uma PEC sobre o tema. A estratégia poderia acelerar a tramitação, especialmente se o texto fosse enviado com pedido de urgência.

Nos bastidores, há cautela entre aliados do governo. Deputados da base afirmam que ainda não há certeza de que o Executivo realmente enviará uma nova proposta. A avaliação é que é preciso “esperar para ver” se o texto de fato chegará ao Congresso.

Um parlamentar lembra que, meses atrás, o governo também sinalizou que encaminharia um projeto sobre o tema, o que não se concretizou até agora. Na leitura desses interlocutores, nada impede que o mesmo cenário se repita.

Apesar das incertezas sobre uma eventual iniciativa do Executivo, a tendência na Câmara é de manutenção do calendário atual. O presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto Júnior (União Brasil-BA), afirmou que a comissão seguirá “os mesmos trâmites” e manterá o ritmo de análise da proposta, independentemente do envio de um novo texto.

A hipótese de um novo projeto não é consenso dentro do próprio governo. No início de março, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não havia, naquele momento, necessidade de envio de uma nova proposta.

“Não está colocada a necessidade de o governo enviar outro PL, até porque tem outros projetos tramitando na Casa. Dependerá, evidentemente, de um diálogo com o presidente Hugo Motta, e nós estamos dialogando”, disse durante audiência na CCJ.

Já na cúpula da Câmara, a sinalização do presidente da Casa é de que a PEC deve avançar independentemente desse movimento. Interlocutores de Motta relatam que há, por parte dele, compromisso de dar celeridade à proposta, com a intenção de levá-la ao plenário ainda no primeiro semestre.

O próprio Motta já tem defendido cautela no debate, ao afirmar que é preciso compreender como a economia pode “absorver” a redução da jornada antes de qualquer avanço.

Fonte: Infomoney

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade