A Memed, healthtech que atua na digitalização da prescrição médica, alcançou o breakeven após 13 anos de operação e agora foca em gerar lucro, sem onerar médicos, pacientes ou farmácias. A estratégia de monetização da empresa se baseia na comunicação com a indústria farmacêutica.

Segundo Rodolfo Chung, CEO da Memed, a plataforma oferece uma solução eficiente para a indústria farmacêutica divulgar medicamentos. Diferentemente do modelo tradicional de representantes em consultórios, a Memed permite que a indústria se comunique com médicos de forma segura e em massa, já que os profissionais realizam login com certificado digital. Atualmente, a plataforma conta com mais de 150 mil profissionais cadastrados, de um total estimado de 500 mil médicos no Brasil.
Da queima de caixa ao lucro
Fundada há 15 anos por médicos, a Memed apostou inicialmente no modelo de construir valor antes de monetizar, seguindo a lógica de empresas de tecnologia. Por mais de uma década, a empresa investiu pesadamente, chegando a realizar demissões em janeiro de 2023 como medida preventiva. Em 2021, a DNA Capital assumiu o controle da Memed. Rodolfo Chung foi trazido como CEO em junho de 2023 com a missão de tornar o negócio sustentável.
Com experiência em crescimento e produto, Chung, que já foi CEO do Zé Delivery, implementou uma visão focada em monetizar a plataforma através de banners e retail media, direcionando a receita para o lado com maior potencial financeiro: as farmacêuticas. Essa abordagem evita a cobrança de taxas de médicos, pacientes ou farmácias.
Próximo unicórnio?
Em junho de 2025, a Memed atingiu o ponto de equilíbrio financeiro e projeta fechar 2026 com R$ 100 milhões em receita. O mercado de prescrição digital no Brasil ainda está em estágio inicial, com apenas 15% das prescrições sendo feitas digitalmente, comparado a 25% nos EUA em verba de promoção médica. Chung vê um grande potencial de crescimento nesse cenário.
A Memed planeja dobrar sua base de médicos para 300 mil até 2029 e expandir suas funcionalidades, com foco no acompanhamento do tratamento do paciente. A empresa busca garantir que os pacientes sigam as terapias corretamente, auxiliando os médicos nesse monitoramento. Chung projeta que a healthtech se torne um unicórnio em quatro ou cinco anos, com possibilidade de um futuro IPO.
Fonte: Infomoney