O Banco de Brasília (BRB) aplicou um desconto médio de quase 15% nos ativos herdados do Master, após a troca de carteiras consideradas fraudulentas. O banco do Distrito Federal (DF) adquiriu ativos contabilizados em R$ 12,738 bilhões pelo grupo de Daniel Vorcaro, mas com o deságio, o valor final ficou em R$ 10,885 bilhões.
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A aquisição original, no valor de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito com indícios de fraude, e a subsequente troca de ativos ocorreram durante a gestão de Paulo Henrique Costa, que foi afastado e posteriormente demitido. Documentos indicam que Costa protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) para adicionar informações à sua defesa.
A operação deixou o BRB vulnerável, necessitando de uma capitalização estimada em R$ 8,8 bilhões. Entre os ativos herdados, o banco aplicou um deságio considerável em alguns, como um empréstimo de R$ 659,3 milhões concedido a Bruno Ferrari, da Oncoclínicas, que foi aceito por R$ 317,7 milhões, um desconto de quase 52%. A carteira de rotativo do Will Bank teve deságio de 40%, sendo contabilizada por R$ 1,1 bilhão.
Em contrapartida, em outras operações, o BRB pagou um valor superior ao contábil. Uma carteira do Credcesta, de cartão consignado, que estava avaliada em R$ 1,898 bilhão, foi comprada por R$ 2,744 bilhões. Outra carteira de consignado, contabilizada por R$ 193,1 milhões, custou R$ 249,5 milhões ao BRB.
Ativos voláteis, como fundos com ações de Oncoclínicas, Ambipar e Biomm, não sofreram desconto. Os contratos permitiam ao BRB a opção de venda dessas cotas pelo valor corrigido. Alguns desses ativos são de obras que nunca saíram do papel, e a estratégia do BRB era renegociar com as incorporadoras.
A operação gerou um problema patrimonial ao banco, que busca um aumento de capital. O governo do DF planeja pedir ajuda ao governo federal para que bancos estatais comprem carteiras do BRB, destinará imóveis para capitalização e negocia um empréstimo de R$ 4 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Enquanto a crise patrimonial não é resolvida, o banco enfrenta problemas de liquidez, buscando acessar linhas financeiras de emergência do Banco Central. Fontes ligadas a Paulo Henrique Costa defendem que as regras de compliance foram cumpridas e que a troca de ativos foi feita às pressas após determinação do BC.
O atual CEO do BRB, Nelson de Souza, tentou vender alguns desses ativos, mas não obteve o valor desejado, afirmando que muitos são bons e não devem ser vendidos a qualquer preço. Costa, por sua vez, nega irregularidades.
Auditorias realizadas apontaram falhas na instituição Master e envolvimento de 30 dirigentes nas operações. Uma fonte próxima à defesa de Costa sugere que houve uma falha de processo, passível de responsabilização civil, e não crime.
Fonte: Globo