A SP-Arte, tradicional feira de artes visuais e design do Brasil, chega à sua 22ª edição em São Paulo com um foco crescente no mobiliário autoral. O evento, que ocorre entre 8 e 12 de abril no pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, apresenta 64 estandes dedicados ao design, ao lado de mais de 100 galerias de arte.
Fernanda Feitosa, fundadora e diretora da SP-Arte, explica que o objetivo é criar um ponto de encontro para a comunidade do design, similar ao que foi estabelecido para as artes plásticas. Ela ressalta a existência de uma produção nacional sólida, com estúdios e galerias de design de alta qualidade, mas que carecia de um evento centralizador.
A feira oferece uma gama variada de peças, desde móveis mais acessíveis, como cadeiras de época em jacarandá da marca L’Atelier, criadas por Jorge Zalszupin, até peças de alto valor, como um bar na mesma madeira, oferecido pela galeria Teo por R$ 160 mil. A galeria é referência no comércio de mobiliário brasileiro vintage.
Outros destaques incluem uma luminária de Maneco Quinderé em parceria com Artur Lescher, com tiragem limitada, disponível na galeria Herança Cultural por R$ 140 mil. No mobiliário contemporâneo, a mesa de apoio Gomo de Bettina Heuer e a poltrona Clave de Marina Moreira, ambas da Designers Group Gallery, são apresentadas com preços de R$ 32 mil e R$ 48 mil, respectivamente.
O evento também evidencia a convergência de preços entre arte e design. Uma escultura em madeira, pedra e cobre de Luana Vitra, artista da galeria Mitre, tem valor semelhante a peças de design de alto padrão. A poltrona Clave da Designers Group Gallery tem preço comparável a obras de jovens artistas representados pela galeria Luisa Strina, com valores a partir de R$ 41 mil, negociáveis.
O mercado de arte global, segundo relatório do banco suíço UBS, cresceu 4% no último ano, após dois anos de retração. No Brasil, os galeristas reportaram um aumento de 21% nas vendas em 2024, com projeções otimistas para o ano corrente. Esse cenário impulsiona o surgimento de novos colecionadores, especialmente jovens do mercado financeiro, e a expansão de estandes de galerias mais novas.
A SP-Arte também registra um aumento na participação de galerias internacionais, com 16 espaços estrangeiros confirmados, o maior número desde antes da pandemia. Galerias como a Lamb (Londres), David Peter Francis (Nova York) e Sur (Uruguai) estarão presentes. Esse interesse estrangeiro é atribuído à crescente visibilidade de artistas brasileiros no exterior, como Lucas Arruda, que teve exposição no Muséed’Orsay em Paris.






Fonte: UOL