O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, defende que uma política fiscal mais austera seria fundamental para auxiliar a autoridade monetária no controle da inflação, especialmente diante de choques de oferta, como os que afetam os preços do petróleo. Fraga avalia que a atual gestão do Banco Central tem cumprido seu papel no combate inflacionário.






O que você precisa saber
- Choques de oferta são um desafio para a inflação, especialmente quando desfavoráveis.
- Uma política fiscal fraca desestabiliza o mix macroeconômico e afeta a saúde das empresas e do Estado.
- O endividamento público e a política fiscal são fatores relevantes para os juros historicamente altos no Brasil.
O papel do Banco Central e a política fiscal
Fraga destacou que o Banco Central tem a missão de analisar os cenários inflacionários e agir conforme as diretrizes estabelecidas. Ele reconheceu que choques de oferta desfavoráveis, como os recentes no mercado de petróleo, representam um desafio, mas considera que o BC está agindo dentro do que é possível no sistema.
“O que faz falta é uma política fiscal que facilite um pouco a vida do Banco Central. E isso nós não temos tido há um bom tempo. E, em última instância, cria fragilidade, começa a afetar a saúde das empresas, começa a afetar, inclusive, a própria saúde do Estado brasileiro”, afirmou o economista, que também é sócio-fundador da Gávea Investimentos.
Juros altos e a influência do Estado
Segundo Fraga, os juros elevados no Brasil são resultado de um conjunto de fatores, com a política fiscal e o endividamento público ocupando posições de destaque. Ele ressaltou a importância do papel do Estado nesse cenário, considerando a política fiscal e o endividamento como partes relevantes da explicação para os juros altos.
Brasil: um ponto fora da curva
O economista participou do XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Ibre/FGV, no Rio de Janeiro. Fraga alertou que, embora o Brasil seja considerado um ponto fora da curva, é preciso cautela para não criar a sensação de que existem soluções mágicas ou indolores para os problemas do país. Ele enfatizou que não existe banco central que funcione bem com uma política fiscal fraca, e que o atual mix da política macroeconômica brasileira está desequilibrado.
Fonte: Moneytimes