A Indra inicia oficialmente a era de Ángel Simón como presidente nesta terça-feira, após sua ascensão ao cargo na quinta-feira anterior. A nomeação ocorreu após a renúncia de seu antecessor, Ángel Escribano, em um conselho de administração extraordinário. No entanto, o poder de Simón será limitado, com a proposta de uma presidência não executiva para viabilizar sua nomeação, segundo fontes.
O comando efetivo da empresa recai sobre José Vicente de los Mozos, o conselheiro delegado. De los Mozos buscou transmitir tranquilidade ao mercado e à companhia após um início de ano conturbado, marcado pelo conflito entre os principais acionistas: a estatal SEPI, com 28% das ações, e a família Escribano, com 14,3%. O impasse levou à suspensão da fusão entre a Indra e a Escribano Mechanical & Engineering (EM&E).
Em comunicado em sua rede social, De los Mozos afirmou que a Indra está em seu melhor momento e possui um plano estratégico consolidado, necessitando agora de um novo impulso. Ele busca acalmar a empresa e o mercado, que questiona o potencial da Indra em se tornar a campeã nacional de defesa, objetivo do governo em um setor em expansão.
Futuro da EM&E e aquisições estratégicas
Apesar do conflito entre Escribano e o governo, a operação com a EM&E ainda é considerada industrialmente viável, especialmente após a resolução do conflito de interesses que motivou sua paralisação. Contudo, a família Escribano negocia a venda da empresa para a alemã Rheinmetall por cerca de 2.500 milhões de euros. Uma eventual venda para a Rheinmetall exigiria aprovação do Conselho de Ministros por se tratar de uma empresa estratégica.
Outras empresas como a franco-alemã KNDS também demonstraram interesse, mas desistiram para focar em sua própria abertura de capital. Fontes indicam que a retomada da operação Indra-EM&E demandaria tempo devido ao conflito recente.
Estabilidade na cúpula e metas financeiras
No curto prazo, a Indra não prevê mudanças significativas na cúpula ou demissões de diretores ligados à gestão anterior. A prioridade é o plano estratégico, que visa analisar novas aquisições e alianças para aumentar o faturamento para 10.000 milhões de euros anuais até 2028, antecipando a meta anterior de 2030. O plano estratégico foi apresentado há dois anos por De los Mozos e o então presidente Marc Murtra.
Acordos estratégicos e disputa por contratos de artilharia
No final de março, a Indra firmou dois acordos importantes: uma aliança com a sul-coreana Hanwha para o desenvolvimento de nova artilharia pesada e um acordo com a Rheinmetall para participar de uma licitação de 3.000 caminhões militares para o Exército de Terra espanhol. A empresa também está definindo parceiros para a nova artilharia sobre rodas, com contrato estimado em 2.686 milhões de euros.
Enquanto isso, a Santa Bárbara, concorrente da Indra no setor militar terrestre, aguarda decisão do Supremo Tribunal sobre um recurso contra ajudas públicas destinadas a projetos de artilharia. A empresa se sente prejudicada na adjudicação dos contratos à Indra e EM&E, justificada pelo governo por “falta de competência” e “segurança nacional”.
Negociações intensas para a presidência
A nomeação de Simón ocorreu após seis horas de negociação na comissão de nomeações, com oito votos a favor e seis abstenções. A presidência não executiva exigiu maioria simples, mais fácil de alcançar do que a maioria de dois terços necessária para uma presidência executiva. O anúncio oficial à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) foi feito na madrugada de quinta-feira.
Fonte: Cincodias