O leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) realizado pela Petrobras, que atingiu ágios elevados e desagradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi o principal motivo para a saída do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Claudio Romeo Schlosser. A decisão de antecipar sua saída foi formalizada após aprovação do conselho de administração da companhia.
Schlosser, que estava prestes a completar 40 anos na Petrobras, já enfrentava desgaste após o aumento do preço do diesel em 14 de março, medida que não foi bem recebida em Brasília. Segundo informações, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, acusava a empresa de insubordinação e solicitava a demissão da presidente da estatal.
Com a saída de Schlosser, Angélica Laureano assume a diretoria, com mandato previsto até abril de 2027. William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, acumulará interinamente as funções da diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade, anteriormente ocupada por Laureano.
A diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade foi criada com foco em projetos de energia, mas o adiamento de iniciativas para transformar a Petrobras em uma empresa de energia levou a uma reorientação estratégica. Com a chegada de Magda Chambriard, o foco se deslocou para biocombustíveis como etanol e diesel renovável, o que impactou a atuação de Laureano, já que esses projetos dependem do setor de refino.
Schlosser também expressava preocupação com a defasagem de preços nas refinarias da Petrobras, que ultrapassa 70% em relação aos preços internacionais, sem a possibilidade de novos aumentos. Ele era o responsável por explicar a manutenção dos preços para acionistas, governo e conselho, correndo o risco de ser responsabilizado em caso de questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU).
Fonte: Estadão