A sociedade brasileira não tolera mais a inflação, e o custo de vida se tornou um tema central nas discussões econômicas. A afirmação foi feita pelo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, durante o XII Seminário Anual de Política Monetária, organizado pela FGV Ibre, no Rio.
Galípolo contrastou a percepção atual com a dos anos 80, destacando que pesquisas indicam uma intolerância crescente à inflação na sociedade brasileira. Ele considera esse cenário positivo, pois fortalece a vigilância contra a inflação dentro da própria sociedade.
O presidente do BC também abordou a dificuldade em calibrar a política monetária. Segundo ele, se a economia está aquecida, o BC fez menos do que deveria; se a atividade cai, está atrasado na curva. Essa pressão, ele acredita, é uma consequência de um trabalho bem feito.
Galípolo mencionou que a cautela adotada nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), diante do choque no petróleo, deixou o Banco Central mais preparado. As medidas mais prudentes permitiram enfrentar a situação atual em condições mais favoráveis, com crescimento econômico próximo ao potencial e taxa de câmbio mais estável.
Em outro ponto, o ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, destacou que a instituição enfrenta dificuldades para implementar o controle da inflação em um ambiente de política fiscal fraca. Ele ressaltou que o Brasil é um “ponto fora da curva”, com “soluções mágicas” e “atalhos”, e que falta uma política fiscal que facilite a tarefa do BC.
José Júlio Senna defendeu a importância de que a política fiscal não atrapalhe o controle da inflação, esperando que os poderes da República incorporem em suas decisões a preocupação com os efeitos dos gastos públicos sobre a inflação.
Fontes: Globo Moneytimes