O mercado de criptoativos inicia abril com uma combinação de cautela e mudança de foco. Especialistas apontam um avanço no uso real e na adoção de moedas digitais lastreadas a ativos reais, como dólar e ouro, que ganharam espaço desde fevereiro.
Após um março marcado por forte volatilidade, influenciada pelo cenário macroeconômico e por tensões geopolíticas, o setor começa a priorizar o uso real das redes e o fluxo de capital dentro do ecossistema. O mercado inicia abril em um ambiente mais seletivo, com investidores atentos ao cenário macroeconômico e à qualidade dos projetos.
Criptos de ativos reais concentram recomendações
Abril marca a consolidação dos criptoativos lastreados em ativos como dólar e ouro como principal vetor de crescimento do segmento. Somados, eles aparecem com mais força do que o próprio Bitcoin entre os destaques apontados pelos especialistas, refletindo uma mudança de foco do potencial especulativo para a utilidade prática.
Foram citadas nominalmente a USD Coin (USDC), atrelada ao dólar, e as criptos de ouro Tether Gold (XAUT) e Pax Gold (PAXG). Criptos como Tron (TRX), Chainlink (LINK), Aster (ASTER), BNB (BNB) e Solana (SOL) aparecem como beneficiários desse cenário favorável à adoção de stablecoins, especialmente as de dólar.
O USDC se consolida como peça central da infraestrutura financeira baseada em blockchain, com crescimento do uso em pagamentos internacionais, operações corporativas e tokenização de ativos. Em momentos de turbulência macro ou correção setorial, essa cripto de dólar preserva capital e facilita rebalanceamentos ágeis.
Bitcoin segue na liderança com papel defensivo
Apesar da ascensão das stablecoins, o Bitcoin mantém a liderança entre os ativos mais recomendados para abril, consolidando sua posição como referência do mercado. O criptoativo entra em uma fase mais madura, com comportamento cada vez mais ligado ao cenário macroeconômico, funcionando como um “porto seguro” dentro do universo cripto.
O avanço da adoção institucional segue como principal motor, com aportes robustos nos ETFs e a ampliação das chamadas Bitcoin Treasury Companies. O Bitcoin se mantém em uma zona crítica de consolidação, refletindo uma base institucional sólida, mas com uma certa desaceleração dos fluxos.
Ethereum e Solana impulsionam infraestrutura
Na sequência do ranking para abril, Ethereum e Solana seguem entre os destaques, impulsionados pelo papel central na infraestrutura do mercado cripto. O Ethereum mantém sua posição como principal infraestrutura para aplicações descentralizadas, tokenização de ativos e emissão de stablecoins, concentrando grande parte da atividade institucional.
A classificação do Ethereum como commodity digital nos Estados Unidos resolve uma incerteza regulatória que pesou sobre o ativo por anos. Solana se destaca por sua velocidade e baixos custos, especialmente em aplicações voltadas ao usuário final e pagamentos digitais, podendo ganhar impulso adicional com a entrada de investidores institucionais.
Fonte: Globo