Revelações factuais sobre as ações particulares e políticas de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) têm sido frequentes. Uma reportagem do Estadão destacou que a família de Alexandre de Moraes adquiriu R$ 23 milhões em imóveis nos últimos cinco anos, triplicando seu patrimônio desde a entrada do ministro na Corte em 2017. A esposa de Moraes, Viviane de Moraes, que assina contratos que geram renda significativa para a família, é apontada como um fenômeno em escritórios de advocacia.
O artigo menciona a frota aérea ligada ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, que transportou figuras importantes do Judiciário, Executivo e Legislativo. O público, segundo o texto, percebe que as prioridades de alguns ministros do STF podem incluir projetos pessoais de enriquecimento e atividades políticas, em detrimento da Constituição.
A degradação do STF é atribuída, em parte, ao critério de escolha para a Corte nos últimos anos, baseado em política e afinidades pessoais, em vez de mérito jurídico. A lealdade e a proteção parecem ser mais valorizadas do que a notável saber jurídico e reputação ilibada.
O texto aborda a possibilidade de impeachment de ministros do STF, que se tornou um ativo eleitoral para alguns senadores. A chance de mudar a composição da Corte de forma mais suave seria pela indicação de novos nomes, mas o presidente Lula optou por indicar Jorge Messias, advogado-geral da União e aliado ideológico do PT.
Messias é associado ao “rótulo Vorcaro de confusão entre o público e privado”. Em 2024, ele participou de um encontro em Londres patrocinado pelo Banco Master, que incluiu uma degustação de uísque. Na ocasião, estavam presentes ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Jorge Messias faz parte de um sistema que, segundo o ex-ministro José Dirceu, precisa ser reformado. O artigo sugere que ele poderá responder a questionamentos sobre suas ligações e ações em uma sabatina no Senado. A resolução dos problemas que afundam o Supremo em crise está nas mãos dos senadores, que parecem mais interessados em aumentar seu poder sobre a Corte do que em melhorá-la estruturalmente.
Fonte: Estadão