Dólar fecha em queda a R$ 5,14 com guerra no Oriente Médio no radar

Dólar fecha em queda a R$ 5,14 e Bolsa estável com guerra no Oriente Médio no radar. Tensões geopolíticas e negociações de paz moldam o cenário econômico global e brasileiro.

O dólar encerrou o pregão desta segunda-feira (6) em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,146. A divisa oscilou em margens curtas durante o dia, atingindo o pico de R$ 5,159 e a mínima de R$ 5,139. O movimento global acompanhou a tendência, com o índice DXY, que mede a força do dólar frente a seis moedas fortes, recuando 0,05%.

A Bolsa brasileira, por sua vez, fechou praticamente estável, com um avanço de 0,05% e 188.161 pontos. As negociações foram influenciadas pela possibilidade de um cessar-fogo no conflito no Oriente Médio, que já dura cinco semanas.

Tensões no Oriente Médio e negociações de paz

Um plano entre Estados Unidos e Irã, intermediado pelo Paquistão, propõe uma trégua de 45 dias, seguida por negociações sobre um acordo mais amplo. O chefe do Exército paquistanês manteve contato com autoridades americanas e iranianas durante a noite. No entanto, negociadores de ambos os lados admitem que as chances de acordo parecem baixas.

O Irã rejeitou a ideia de trégua provisória e pediu uma solução definitiva, afirmando que a guerra continuará. O país ofereceu aos Estados Unidos dez pontos para negociação, incluindo o fim das sanções econômicas e provisões para reconstrução.

O presidente Donald Trump estabeleceu um ultimato ao Irã: aceitar as condições de trégua e reabrir o estreito de Hormuz até terça-feira (7) ou os Estados Unidos “explodirão tudo”. Uma autoridade iraniana descartou a reabertura do estreito em caso de cessar-fogo temporário.

Impacto econômico global e no Brasil

A possibilidade de bloqueio de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, já lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta está se transformando em uma crise energética, elevando os preços do petróleo. O Brent, referência internacional, avançou cerca de 1%, cotado a US$ 112 o barril.

Com a inflação global sob pressão, o crescimento econômico previsto foi colocado em dúvida, assim como os próximos passos de bancos centrais. Tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central brasileiro citaram a guerra em suas decisões recentes, diante do risco de pressão inflacionária.

A XP avalia que um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção, com expectativas de inflação local subindo acima da meta de 3% do Banco Central. Analistas ajustaram para cima as projeções de inflação para 2026 pela quarta semana consecutiva.

Perspectivas para o Brasil

Apesar das turbulências, a XP vê o Brasil bem posicionado para enfrentar a situação, dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de atrair fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões diminuírem. O país tem recebido investimentos bilionários, mesmo em cenário de crise geopolítica, refletindo uma diversificação de portfólios globais.

Investidores veem com desconfiança as medidas adotadas pelo presidente americano Donald Trump e seus impactos na economia. A taxa de juros ainda elevada no Brasil e a produção de commodities, ativos demandados em períodos de instabilidade, também contribuem para a atração de capital internacional. A alta do petróleo favorece a Petrobras, que viu seu valor de mercado aumentar significativamente.

Fontes: UOL Estadão

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